sexta-feira, maio 15, 2026
14.5 C
Pinhais

Pré-eclâmpsia: novo tratamento pode retardar condição – 15/05/2026 – Equilíbrio e Saúde

Poucos problemas na gravidez são tão misteriosos e perigosos quanto a pré-eclâmpsia. A condição, que causa um aumento súbito na pressão arterial da mãe, pode levar rapidamente à falência de órgãos e à morte. É difícil de prever e o único tratamento conhecido é realizar o parto rapidamente, muitas vezes por cesariana de emergência

Se a gravidez estiver com 32 semanas ou menos, como ocorre em cerca de 20 mil partos desse tipo nos Estados Unidos a cada ano, as chances de sobrevivência e desenvolvimento saudável do bebê são significativamente menores. Mesmo um pequeno prolongamento da gravidez nesses casos poderia trazer enormes benefícios, se fossem encontradas maneiras de realizá-la com segurança.

Agora há um traço de esperança de que isso seja possível. Em 27 de abril, uma colaboração internacional liderada por Ravi Thadhani e Ananth Karumanchi, do Cedars-Sinai Medical Center, em Los Angeles, relatou os resultados iniciais de um novo tratamento promissor.

Em um estudo publicado na Nature Medicine, os pesquisadores demonstraram que filtrar o sangue de mulheres com pré-eclâmpsia para remover uma proteína problemática pode retardar sua progressão de forma segura.

Por mais promissores que os resultados pareçam, o ensaio clínico representa um estudo de prova de conceito que testou o tratamento em apenas 16 mulheres. Para testar com mais precisão a eficácia da abordagem e determinar se ela poderá se tornar um tratamento padrão no futuro, serão necessários ensaios clínicos maiores.

“O estudo representa o primeiro passo confiável além do controle dos sintomas em direção a um verdadeiro tratamento modificador da doença”, diz James Walker, da Universidade de Leeds.

Há muito espaço para melhorias. Os médicos têm tratado a pré-eclâmpsia de maneira muito semelhante nos últimos 50 anos, afirma Karumanchi.

O padrão atual de cuidados para pré-eclâmpsia é a espera vigilante, intercalada com medicamentos para prevenir convulsões na mãe, além de corticoides e esteroides para preparar os pulmões do bebê para um nascimento prematuro. Essas medidas podem ganhar alguns dias adicionais, mas não conseguem interromper a progressão da pré-eclâmpsia.

Parte da razão para essa estagnação é a dificuldade envolvida no desenvolvimento de novos medicamentos para gestantes. Isso porque algumas moléculas poderiam passar da corrente sanguínea da mãe para a placenta, onde poderiam afetar o feto em desenvolvimento de maneiras imprevistas.

Para contornar esse problema, a equipe de Karumanchi decidiu remover os componentes problemáticos do sangue da mulher, em vez de adicionar qualquer substância nova. O alvo escolhido foi uma proteína chamada tirosina quinase 1 solúvel semelhante a Fms (sFlt-1), secretada pela placenta para aumentar o fluxo sanguíneo.

Os cientistas sabem há cerca de 15 anos que essa proteína aumenta drasticamente na pré-eclâmpsia e desempenha um papel causal direto no desenvolvimento da doença na mãe. Mas ninguém havia conseguido, até então, reduzir seus níveis no sangue da mulher de forma segura.

Thadhani e Karumanchi, junto com seus colaboradores, esperavam solucionar o problema com a ajuda de um protocolo médico padrão conhecido como aférese, utilizado há muito tempo para purificar o sangue. O sangue é coletado do paciente, filtrado e devolvido ao corpo.

A técnica é usada para reduzir os níveis de colesterol em pessoas com níveis hereditários elevados da substância e ajuda a remover certos tipos perigosos de células sanguíneas em pacientes com câncer ou anemia falciforme.

Para remover o sFlt-1 do sangue do paciente, os pesquisadores desenvolveram um anticorpo capaz de se ligar a essa proteína específica. Em seguida, equiparam um filtro com uma quantidade suficiente desses anticorpos para reduzir a concentração de sFlt-1 no plasma sanguíneo filtrado.

Embora o sFlt-1 tenha aumentado em alguns pacientes, seu nível se estabilizou em vez de continuar a subir, como ocorreria normalmente.

Nem as mulheres com pré-eclâmpsia no estudo, nem seus bebês, apresentaram quaisquer efeitos adversos. O aumento mediano da gravidez nas mulheres tratadas foi de dez dias, significativamente mais longo do que os quatro dias que o tratamento atual oferece.

A extensão é tempo suficiente para alguns bebês serem classificados como “moderadamente” em vez de “muito” prematuros. Após décadas de melhor previsão de risco sem melhor tratamento, este estudo oferece motivos genuínos para otimismo, segundo Walker.

Autor: Folha

Destaques da Semana

Turismo no Paraná cresce 3,4% e fecha 2025 com estoque de 148 mil empregos

O mercado de trabalho formal no setor de turismo...

MP denuncia dono da Ultrafarma e auditores fiscais de SP por fraude no ICMS

O Ministério Público de São Paulo denunciou nesta sexta-feira...

Keiko Fujimori e Roberto Sánchez, rivais no segundo turno no Peru

A eleição presidencial no Peru terá no seu segundo...

Assessor da Casa Civil do Paraná é investigado pelo Gaeco

O assessor da Casa Civil do governo do Paraná...

Temas

Siga-nos

Conheça Nosso Guia de Compras

spot_img

Artigos Relacionados

Categorias mais Procuradas