Com a lateral direita sem um dono incontestável após o fim das eras de Cafu e Daniel Alves na seleção brasileira, o jovem maranhense Wesley França, 22, destaque da Roma, desponta hoje como o principal candidato de Carlo Ancelotti para assumir a posição de titular durante o Mundial que se aproxima na América do Norte.
Veloz e de características ofensivas, o jogador que ganhou destaque no Flamengo de Jorge Sampaoli traz à formação nacional a versatilidade para atuar em diferentes posições dentro de campo tão apreciada pelo treinador da seleção.
Com a ideia inicial de escalar Éder Militão descartada após a cirurgia a que o defensor do Real Madrid foi obrigado a se submeter, no fim de abril, Ancelotti chegou a testar alguns nomes pela direita ao longo de seu primeiro ano de trabalho à frente da seleção brasileira.
Em dez partidas sob o comando do italiano, desde junho de 2025, seis jogadores começaram como titular pela direita —Vanderson, Wesley, Vitinho, Paulo Henrique, Militão e Ibañez.
Do sexteto, além do jogador da Roma, apenas o zagueiro Ibañez, 27, do Al Ahli, que pode ser improvisado pela lateral, compõe a relação de 26 convocados por Ancelotti.
Há ainda, correndo por fora no grupo, o experiente Danilo, 34, do Flamengo, chamado por Tite para as Copas de 2018 e 2022, mas prejudicado em ambas por lesões. Atualmente, ele é reserva no clube carioca, onde vem sendo mais utilizado como zagueiro.
Foi Danilo quem entrou no lugar de Wesley no intervalo do jogo contra a Tunísia, no último amistoso da seleção em 2025, quando o voluntarioso lateral não fez um bom primeiro tempo —levou um cartão amarelo ainda nos primeiros minutos da partida e também perdeu a bola no lance que originou o gol dos tunisianos.
Conhecido por demonstrar personalidade para superar situações adversas desde os tempos de Flamengo, quando foi bastante contestado pela torcida rubro-negro em seu início no clube, ele voltou à lateral direita da seleção no difícil confronto contra a seleção da França.
Permaneceu em campo durante a maior parte da partida e foi um dos destaques positivos do Brasil, responsável pela jogada que resultou na expulsão do zagueiro Upamecano, do Bayern de Munique.
Wesley não pôde disputar o duelo seguinte, contra a Croácia, devido a uma lesão muscular sentida na coxa. Foi substituído por Ibañez, que ajudou o time na marcação, mas praticamente não passou do meio de campo.
O lateral voltou a ser relacionado para uma partida pelo técnico italiano da Roma, Gian Piero Gasperini, no fim de abril. Só que não pela direita, mas sim do outro lado do campo, na ponta esquerda, posição em que já vinha sendo utilizado ao longo da temporada —e que inclusive resultou em gols seus no Campeonato Italiano, contra Cremonese, Juventus e Fiorentina.
Admirador do futebol do brasileiro, Gasperini já havia tentado sua contratação quando estava no comando da Atalanta —tendo levado o modesto time de Bérgamo ao título da Liga Europa na temporada 2023/24—, mas o negócio com o Flamengo acabou não dando certo.
Anunciado finalmente como reforço romano em julho de 2025, o brasileiro fez sua estreia pela tradicional equipe da capital da Itália em agosto. Inicialmente em sua posição de origem na lateral direita, onde se destacou no Flamengo de Jorge Sampaoli, Tite e Filipe Luís, com as conquistas do Campeonato Brasileiro, da Libertadores e da Copa do Brasil, chegando à seleção brasileira pela primeira vez, ainda sob o comando de Dorival Júnior.
No clássico contra a Internazionale de Milão, em outubro, válido pela sétima rodada do Calcio, pela falta de opções no plantel, Gasperini acabou optando pela improvisação de Wesley como um ala pela esquerda.
Mesmo com a derrota por 1 a 0 no Olímpico de Roma, o desempenho do maranhense de Açailândia, em especial nos duelos contra o forte lateral holandês Denzel Dumfries, agradou tanto a comissão técnica que o brasileiro passou a ser quase sempre escalado pela esquerda na formação romana.
No jogo amistoso da seleção brasileira contra Senegal, Wesley inclusive chegou a entrar pelo lado esquerdo da defesa, no lugar de Gabriel Magalhães, que precisou deixar o campo lesionado.
Em recente entrevista a Galvão Bueno no SBT, Carlo Ancelotti falou sobre a falta de opções em um setor em que o Brasil sempre teve abundância, quando também aproveitou para citar o lateral da Roma como maior destaque da geração atual.
“Nunca faltaram laterais no futebol brasileiro, o país sempre teve jogadores fantásticos, Cafu, Marcelo…agora temos um pouco de carência. Mas temos jogadores espertos para essa posição, um jovem, o Wesley, que está indo muito bem na Roma”, afirmou Ancelotti.
Autor: Folha








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