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Falta de medicamentos no SUS afeta pacientes no Paraná

Pacientes que dependem do programa estadual de distribuição gratuita de medicamentos Farmácia do Paraná têm buscado formas alternativas para manter seus tratamentos por falta de abastecimento. De acordo com o movimento nacional Medicamento no Tempo Certo (MTC), de janeiro a maio foram registrados 1.240 relatos de falta de remédio.

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Criado durante a pandemia de covid-19, o MTC registra depoimentos de pacientes que não conseguem retirar medicamentos distribuídos pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

De acordo com a coordenadora do MTC, Priscila Torres, a falta de continuidade no tratamento pode levar ao agravamento do quadro de saúde, perda de resposta terapêutica, recaídas, crises, progressão da doença, aumento de sintomas, necessidade de atendimentos de urgência, internações que seriam evitáveis e maior uso de tratamentos mais complexos e caros.

“No caso de medicamentos de alto custo e uso contínuo, atrasos prolongados também podem comprometer a efetividade do tratamento, reduzir qualidade de vida, gerar incapacidade, afastamento do trabalho ou da escola e ampliar a judicialização”, afirma Torres.

Medicamento para o tratamento de doenças autoimunes lidera lista

A situação agravou-se em todo o Brasil no final de 2025, de acordo com o pesquisador de Doenças Raras e Autoimunes no Centro de Estudos em Terapias Inovadoras, Sebastião Cezar Radominski.

“Desde o final do ano, detectamos uma falta generalizada de medicamentos, em diferentes escalas. Além disso, foram observadas faltas transitórias ou intermitentes de outros medicamentos de alto custo para doenças neoplásicas e de tratamento crônico ou contínuo”, afirma Radominski.

No Paraná, a leflunomida, utilizada para o tratamento de doenças autoimunes, como a artrite reumatóide, artrite psoriásica e lúpus eritematoso, lidera a lista do MTC, com 395 relatos de ausência.

Paciente de Curitiba relata a falta de leflunomida há um mês no SUS

Em Curitiba, a paciente que prefere ser identificada apenas pelas iniciais T. C. C., de 39 anos, está sem leflunomida há um mês. Ela conta que antes de chegar ao medicamento tentou diversas outras terapias, sem sucesso, como corticoides, metotrexato, hidroxicloroquina e prednisolona. As tentativas geraram prejuízo para o fígado e, sem conter a doença, provocaram imobilidade temporária, levando a paciente a ficar de cama.

“Sem a medicação, perco a mobilidade manual e não consigo sequer abrir um refrigerante. Com o frio, a sensação piora. Para tentar prolongar minha reserva, estou me medicando em dias intercalados. O correspondente à venda nas farmácias é muito caro”, disse a paciente, referindo-se ao Arava, marca registrada por laboratório, que chega a custar R$ 770 a caixa.

No Brasil, o MTC contabiliza mais de 33 mil relatos de desabastecimento. Os dados são enviados voluntariamente por pacientes e cuidadores via internet. A equipe do movimento qualifica as queixas por critérios como nome do fármaco, estado e impacto clínico para mapear os gargalos.

Ministério da Saúde contesta dados do movimento Medicamento no Tempo Certo

Em nota, o Ministério da Saúde informou que monitora o estoque de forma contínua e contestou os números, sob o argumento de que eles não refletem a realidade nacional. Segundo a pasta, a maioria dos itens citados tem entrega normal. Dos 44 medicamentos fornecidos diretamente pelo governo federal, 40 estão com fluxo regular e os quatro restantes têm remessas a caminho ou compra em andamento. Os fabricantes foram notificados.

Sobre a leflunomida, o ministério prometeu enviar 302,9 mil unidades nas próximas semanas e informou que abriu pregão eletrônico para comprar mais 17,8 milhões de comprimidos. A pasta também finaliza a compra de riluzol, abatacepte e beta-agalsidase.

O governo informou ainda que os pacientes com doença de Fabry não estão desassistidos, pois a alfagalsidase — alternativa com eficácia equivalente à beta-agalsidase — foi entregue normalmente.

Autor: Gazeta do Povo

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