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No Brasileirão e na seleção as histórias se repetem – 26/05/2026 – Tostão

De vez em quando alguém me pergunta por que eu não estou presente em eventos relacionados ao Cruzeiro, à CBF, à Fifa e a outras organizações. Além de gostar de meu canto e de tentar separar o público do privado, preciso, como colunista, manter uma distância para ter total liberdade e independência para criticar e elogiar.

As histórias se repetem no Brasileirão. Palmeiras e Flamengo, novamente, vão disputar o título. Na derrota do Flamengo para o Palmeiras, por 3 x 0, o primeiro gol aconteceu logo após a expulsão de Carrascal. O Flamengo, perdendo o jogo, teria de tentar o gol, ainda mais em casa, empurrado pela torcida. Nessas situações, é frequente a equipe com um jogador a menos sofrer mais gols por deixar muitos espaços na defesa. Mesmo assim, o técnico Leonardo Jardim foi duramente criticado. Por muito pouco, os treinadores se transformam de heróis em vilões pelas redes sociais e pelos gênios das estratégias.

Por que o Bahia, com frequência, não consegue marcar vários gols sem sofrer tantos? Contra o Coritiba fez 2 e sofreu 3. Seria por causa de deficiências táticas? Penso que o elenco é modesto para o time atacar e defender bem. Deveria se inspirar no modelo do equilibrado Arsenal, campeão inglês, em vez de seguir o do ousado Manchester City, clube do grupo do qual o Bahia faz parte.

Na seleção, as histórias também se repetem. Neymar está novamente machucado, com problema na panturrilha, o que reforça a opinião de que ele não deveria ter sido convocado. Ele se apresenta nesta quarta (27) junto com os outros jogadores e, mesmo se estiver em condições de treinar, os últimos dez dias de ausência dos gramados podem atrapalhar sua recuperação técnica e física. Existe também a possibilidade de Neymar continuar fora dos treinamentos ou mesmo de ser cortado.

Na época da apresentação da seleção para a Copa de 1970, eu tinha ficado seis meses sem participar de qualquer atividade física por causa da cirurgia após o descolamento da retina. Dias antes, fui aos EUA para fazer uma revisão e fui liberado pelo médico para treinar, porém separado do grupo. Carlos Alberto Parreira, que era na época auxiliar da preparação física, foi meu instrutor por cerca de 45 dias.

Na época, a moda no Brasil e no mundo era o teste de Cooper, que media quantos metros um atleta corria em 12 minutos. Logo que passei a treinar com o grupo, fiz o teste e fiquei na última colocação. A imprensa foi atrás do técnico, João Saldanha, para saber das minhas condições físicas. Ele disse: “Tostão foi o último no teste, mas já está escalado”. Parecia até que eu era um supercraque, imprescindível. Não sei se Saldanha gostava mais das minhas características técnicas ou da minha pessoa, pois batíamos bons papos sobre futebol, política e outros assuntos.

Eu ainda não entendi por que Saldanha foi convidado para ser técnico da seleção, pois era um ativo participante do Partido Comunista Brasileiro no tempo da nefasta ditadura. Dizem que antes de ser demitido houve uma reunião em Brasília entre os dirigentes da CBD e o ditador Médici. Havia um sussurro entre os jogadores de que Saldanha sairia. Ficamos tristes, chateados, mas, como dizia o próprio Saldanha, “vida que segue”. Entrou Zagallo e o Brasil foi campeão.


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Autor: Folha

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