Maioria das pessoas afastadas por questões ligadas à saúde mental no Brasil em 2025, segundo o Ministério da Previdência Social, as mulheres deveriam falar mais sobre o assunto. A conversa pode ser com amigas, familiares ou profissinais da saúde, o importante é enxergar a situação.
Ignorar o problema pode levar, por exemplo, a casos de ansiedade e depressão, segundo Dulce Brito, gerente médica de bem-estar e saúde mental do Einstein Hospital Israelita de São Paulo.
O primeiro sinal de alerta, ela diz, costuma estar relacionado ao sono. “Muitas vezes, uma mulher sobrecarregada pode até dormir oito horas por noite, mas acorda sempre cansada”, afirma.
Isso acontece, segundo Dulce, devido a um estado permanente de alerta. “Ela acorda se lembrando de alguma tarefa do dia, de checar se o filho está bem. Não consegue descansar profundamente.”
Falta de memória também pode ser um sinal de sobrecarga. “Tanto o cansaço físico quanto o mental causam lapsos e bloqueios criativos”, diz a médica.
A jornalista Izabella Camargo, que foi diagnosticada com burnout e hoje dá palestras sobre o assunto, conta que muitas mulheres só se dão conta de que estão sobrecarregadas quando percebem que não estão lavando o cabelo, por exemplo. “Com a falta de energia, o autocuidado é deixado de lado porque se tem a ideia de que dá para recuperar depois”, afirma.
Para sair desse ciclo, o primeiro passo é tentar reduzir o ritmo dentro e fora de casa, sugerem especialistas.
“Pergunte para você mesma o que você precisa agora, sem considerar o trabalho remunerado, a casa ou a família”, diz Dulce. “Quando foi a última vez que você esteve a sós com você mesma, que fez algo sem pensar em mais ninguém? Refletir sobre isso não é egoísmo, é cuidar do corpo e da alma.”
Nesse sentido, o psiquiatra Pedro Pan fala em entender o que é possível. “Busque exemplos não identificados com a lógica da idealização. Se você é, por exemplo, mãe, inspire-se em experiências de pessoas que entendem que nem sempre dá para seguir o que é colocado como perfeito.”
De acordo com ele, é importante também saber pedir ajuda, no trabalho ou em casa. “Se não for possível, faça uma autorreflexão sobre o que é prioridade naquele momento.”
O principal, diz Pan, é perceber que não há problema algum em não dar conta de tudo. “Mais do que isso, [o principal] é entender que talvez nem seja possível fazer tudo.”
Autor: Folha




















