O Brasil é o país mais ansioso do mundo, segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde). Não é à toa, portanto, que o interesse pelas diversas formas de cuidar da saúde mental tenha aumentado nos últimos tempos.
Mas as terapias psicológicas —ou psicoterapias— não se dirigem exclusivamente a quem está enfrentando sofrimento psíquico. Também são ótimas ferramentas que ajudam a buscar uma vida mais solar, proporcionando autoconhecimento e reflexões sobre como ser uma pessoa melhor, tanto com os outros como internamente.
Psicanálise em alta
Ao longo de décadas de estudos, diferentes teorias e práticas profissionais foram estruturadas para o cuidado da saúde mental e o desenvolvimento humano. Algumas focam no passado e no subconsciente para buscar respostas. Outras, nas ações do dia a dia. Ainda há aquelas que analisam o entorno do sujeito para entender sua psique. Informar-se e entender o que mais combina com as suas necessidades é uma etapa importante do processo.
Nos últimos anos, os conteúdos sobre psicanálise tomaram conta da Internet nos mais diferentes formatos, de posts a podcasts, contribuindo para democratizar esse conhecimento. Esse movimento também fez com que vários nomes da psicanálise viralizassem com suas falas e conceitos. Um exemplo recente é Donald Winnicott, psicanalista inglês que trata de temas como mães, ambientes, vazio, sensação de futilidade e verdadeiro e falso self.
Seu estilo clínico acolhedor e empático, bem como sua linguagem relativamente simples, são algumas das explicações do seu sucesso na Internet. Também fez sentido para muita gente sua ideia de que nem todo sofrimento é responsabilidade só da psique individual. Por exemplo: para Winnicott, pode ser que o sujeito esteja deprimido porque trabalha em um ambiente cheio de colegas competitivos, chefes abusivos, com demandas e prazos desumanos.
Outros caminhos?
Formas de terapia “alternativas” também ganharam mais espaço. É o que aconteceu recentemente com a terapia somática. Como explica um artigo da Harvard Health Publishing, os terapeutas somáticos acreditam que nosso corpo carrega emoções, e que eventos traumáticos podem ficar “presos” em partes do corpo como pés, peito, mãos, entranhas etc. Para “libertá-los”, as sessões usam técnicas de autoconsciência corporal, descrição de sensações físicas e um tanto de silêncio.
Muitos pacientes que procuram a terapia somática reconhecem o poder e o valor da psicoterapia tradicional para a evolução do autoconhecimento. No entanto, essas pessoas ainda sentem os efeitos de uma ansiedade, uma depressão ou um ataque de pânico na pele (ou em outros órgãos). E buscam no corpo uma tentativa de cura para a mente.
Mas é importante pontuar que, ainda que os estudos estejam crescendo —vide “O corpo guarda marcas”, livro do psiquiatra holandês Van Der Kolk—, a prática ainda não tem tanto respaldo científico ou benefícios comprovados.
Quero parar de fazer terapia. E agora?
Em teoria, qualquer pessoa adulta tem liberdade para tomar a decisão de interromper uma terapia antes de ter alta. Mas há vários pontos a considerar nessa hora. Discutir a sua vontade com o próprio profissional é um primeiro passo sensato. Dessa forma, vocês podem avaliar de forma conjunta os prós e contras de encerrar o processo terapêutico. Expor o motivo pelo qual você quer pular fora pode eventualmente ser uma parte importante do tratamento e até mesmo trazer algum tipo de reviravolta ao processo.
“Alguns pacientes chegam para resolver uma questão específica, como se separar, mudar de profissão ou elaborar um luto. Quando isso se resolve, é comum que haja um esvaziamento da análise”, diz o psicólogo Rodrigo F. Mello. “Nesse momento, é possível iniciar um outro processo, mas também pode ser o fim do ciclo. E tudo bem.”
Ao olhar para o seu núcleo de amigos, pode parecer que “quase todo mundo” está fazendo terapia. Mas, apesar do aumento da oferta e da procura, a realidade é outra. De acordo com uma pesquisa feita no ano passado pelo Instituto Cactus, somente 5% dos brasileiros fazem tratamento com psicoterapia —destes, 43% haviam começado há menos de um ano.
Também é possível que você já tenha ouvido frases como “todo mundo precisa de terapia” ou “só namoro com quem está com a terapia em dia”. Elas exemplificam como essa prática vem se tornando sinônimo de status e “selo de qualidade”. No entanto, como afirmam muitos profissionais da área, nem todo mundo precisa de terapia. Há outras formas de obter bem-estar psicológico e existe muita gente bem-resolvida e feliz que nunca deitou no divã.
Autor: Folha








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