As canetas para tratamento contra a obesidade Wegovy e Mounjaro passarão a ser reembolsadas na França a partir de meados de junho, em um quadro rigorosamente controlado. A medida é justificada pelo alto custo dos medicamentos para o sistema de saúde e pelos riscos de uso inadequado.
O Wegovy, desenvolvido pelo laboratório dinamarquês Novo Nordisk, e o Mounjaro, do grupo norte-americano Eli Lilly, pertencem à classe dos análogos do GLP-1, capazes de promover perda de peso e reduzir o apetite.
Em entrevista à emissora TF1, a ministra da Saúde da França, Stéphanie Rist, comemorou o fato de o país se tornar o primeiro da União Europeia a oferecer o reembolso permanente desses tratamentos dentro do sistema público de saúde.
Segundo estimativas, cerca de 1 milhão de pessoas podem estar elegíveis ao reembolso. O ministério da saúde francês, porém, avalia que o número real deve ficar abaixo desse patamar, embora não tenha divulgado uma previsão. A taxa oficial de reembolso será de 65%, mas, na prática, a maioria dos pacientes deverá ter cobertura integral devido à gravidade do quadro clínico.
De acordo com dois decretos publicados no Diário Oficial francês, o Wegovy e o Mounjaro só poderão ser reembolsados para pacientes adultos com obesidade grave sem comorbidades ou obesidade severa acompanhada de comorbidades. São perfis que normalmente teriam indicação para cirurgia bariátrica, um procedimento consideravelmente mais caro.
Até recentemente, o preço desses medicamentos variava conforme a farmácia, já que os valores eram definidos livremente pelos laboratórios. Os pacientes franceses desembolsavam cerca de € 300 (cerca de R$ 1.700) por mês para adquirir as canetas injetáveis, disponíveis mediante prescrição médica desde o fim de 2024.
Preços fixados
Com os preços fixados, o Wegovy custará entre € 146,91 (pouco mais de R$ 850) mensais nas três primeiras dosagens e € 195,10 (R$ 1.150) na dose mais elevada.
O Mounjaro teve o custo diário divulgado entre € 6 e € 14 (de R$ 35 a R$ 82), dependendo da dosagem prescrita.
Apesar da divulgação dos preços, o custo efetivo dos medicamentos para o sistema de saúde permanece difícil de calcular, devido à complexidade dos descontos negociados entre os laboratórios e a Seguridade Social francesa.
O Ministério da Saúde estima que os reembolsos representem um gasto de cerca de € 100 milhões (quase R$ 600 milhões) para a Seguridade Social em 2027, mas ainda não detalhou os valores pagos nem o número exato de pacientes beneficiados.
Em outros países, como Suíça, Reino Unido e Japão, o Wegovy já é parcialmente coberto pelos sistemas de saúde, embora com critérios diferentes dos adotados pela França e limitações na duração do tratamento. O Mounjaro também já é reembolsado no Reino Unido, na Grécia e na Suíça por um período máximo de um ano.
A obesidade afeta hoje cerca de 18% dos adultos franceses e continua crescendo. Considerada uma doença crônica, ela pode provocar complicações como hipertensão, diabetes e aumento do risco de câncer. A condição também está associada a isolamento social, sofrimento psicológico e dificuldades profissionais.
Autor: Folha








.gif)












