Quem vai ganhar o Mundial? Tudo é incerto. “Tudo parece fácil e concatenado quando ganhamos; tudo parece disperso e difícil quando perdemos. No entanto, é por tão pouco que se ganha ou se perde. O apito final estabiliza violentamente aquilo que, no transcorrer do jogo, parece um rio catastrófico de mil possibilidades, a nos arrastar com ele”, escreveu o filósofo e artista plástico Nuno Ramos.
Qual será a escalação e a estratégia que Ancelotti vai usar na estreia? No jogo contra o Egito, além da eficiente marcação por pressão, Bruno Guimarães, Paquetá e Raphinha, amparados por Casemiro, trocaram belíssimos passes e deram ótimas enfiadas de bolas para os atacantes Vinicius Junior e Igor Thiago. O centroavante enrolou-se com a bola e perdeu duas claras chances de gols. Vini também finalizou mal.
Durante a partida, ao ver o quarteto formado por Casemiro, Bruno, Paquetá e Raphinha, lembrei-me de outro excepcional quarteto, o da Copa de 1982, com Cerezo, Falcão, Zico e Sócrates. Não havia também pontas abertos, pois Eder pela esquerda e Paulo Izidoro pela direita se deslocavam muito para o centro.
Por outro lado, ainda mais depois da contusão de Wesley, o Brasil, contra o Egito, não teve alguém pela direita para defender e atacar nem um jogador pela esquerda que voltasse para marcar, pois Vini e Raphinha atuaram próximos e no ataque. A fragilidade defensiva pelos lados pode ser um grande problema na estreia. Marrocos é muito forte pelas pontas.
Uma opção seria retornar à estratégia dos jogos anteriores, com Matheus Cunha mais recuado e marcando pela esquerda, além de um ponta pela direita (Rayan ou Luiz Henrique). Sairia o centroavante Igor Thiago e Vini e Raphinha fariam a dupla de ataque. Nessa formação, Raphinha não foi bem contra o Panamá, muito centralizado e de costas para o gol. Uma alternativa será a formação de um trio no meio campo, com Casemiro pelo centro, Bruno Guimarães de um lado e Paquetá de outro.
Endrick entrou no segundo tempo contra o Egito e fez um gol decisivo.
Um leitor, ao lembrar o personagem Zé da Galera, criado por Jô Soares durante a Copa de 1982, que ligava para o técnico Telê Santana de um orelhão para reclamar, “Bota ponta, Telê!”, me disse que queria fazer algo parecido, telefonar para o técnico e falar: Ancelotti, coloca o Endrick!
O Brasil é um dos candidatos ao título porque possui alguns jogadores que estão entre os melhores da posição do mundo e porque tem um técnico excelente e experiente. Não é por causa do penta nem por ser conhecido como um país que joga um futebol bonito.
Antes da estreia da seleção brasileira na Copa de 1970, Pelé e todos os jogadores, sem relação comercial, usavam, por ser a melhor, a mesma chuteira de uma marca de material esportivo. Aí surgiu um grande problema. Pelé fez um contrato com outra empresa, que tinha uma chuteira que não era tão confortável quanto a outra. O roupeiro da seleção encontrou uma ótima solução: tirou a marca que identificava a chuteira que Pelé costumava usar e colocou a marca da empresa com a qual ele tinha feito o contrato.
Todos gostaram. Pelé e todos nós jogamos com a chuteira que preferíamos, o Brasil foi campeão e as duas empresas ficaram satisfeitas.
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Autor: Folha




















