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Hantavírus: EUA ordena que mulher permaneça em quarentena – 16/06/2026 – Equilíbrio e Saúde

Uma passageira do navio de cruzeiro que foi exposta ao hantavírus no início de maio ainda está sendo mantida em uma instalação de quarentena em Nebraska, contra sua vontade e contra a recomendação de uma revisão médica dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças.

Na segunda-feira (15), o secretário de Saúde do governo Trump, Robert F. Kennedy Jr., assinou uma ordem para dar continuidade à quarentena de Angela Perryman, 47. Outras pessoas que estavam na instalação já foram autorizadas, desde 31 de maio, a retornar para suas casas.

Em entrevista por telefone ao The New York Times, Perryman, que testou negativo para o vírus e afirma não ter apresentado nenhum sintoma, expressou raiva e frustração. Ela disse que soube da decisão de Kennedy quando uma cópia de sua ordem foi deslizada por baixo da porta de seu quarto.

Após uma audiência para contestar sua ordem de quarentena, Michael Bell, revisor médico de quarentena do CDC, recomendou na última quinta-feira que Perryman fosse autorizada a retornar para casa pelo restante de sua quarentena de 42 dias, com monitoramento remoto de sintomas uma vez ao dia e acesso a atendimento 24 horas “caso ela desenvolva sintomas”.

“Em meu julgamento profissional, essa alternativa menos restritiva é adequada para proteger a saúde pública”, escreveu Bell na revisão.

“Esta é a prova final de que não há controle nem equilíbrio sobre uma detenção basicamente indefinida sob a lei de saúde pública”, diz Perryman.

O Departamento de Saúde e Serviços Humanos se recusou a comentar.

Perryman é uma das 18 passageiras que estavam em um navio de cruzeiro que se tornou o centro de um surto de hantavírus que matou três pessoas, adoeceu várias outras e deixou pessoas ao redor do mundo apreensivas. Elas foram levadas de volta aos Estados Unidos em 11 de maio e colocadas em quarentena na Unidade Nacional de Quarentena em Omaha, Nebraska.

As passageiras deveriam inicialmente retornar para seus próprios estados, mas depois receberam ordem de permanecer em Omaha pelo menos até 31 de maio. Perryman contestou publicamente a ordem.

“Acho que isso é claramente malícia e retaliação”, diz ela.

Alguns passageiros foram autorizados a fazer quarentena em casa até 22 de junho, ou 42 dias, desde que autoridades de saúde locais se comprometessem a ter um agente da lei ou profissional de saúde comunitária monitorando-as. Perryman é uma das dez passageiras ainda em Omaha, segundo ela, mas a única sendo mantida contra sua vontade.

Perryman mora na Flórida parte do tempo e desejava fazer quarentena lá. Mas a Flórida se recusou a cumprir os requisitos do governo, de acordo com Steven Hyman, advogado de Perryman.

Mas agora, a ordem de Kennedy para manter Perryman em Omaha “contraria frontalmente as conclusões do revisor médico”, diz Hyman.

Na instalação de Omaha, funcionários medem a temperatura de Perryman duas vezes ao dia e fornecem comida mediante solicitação. Ela também pode solicitar acesso a um terraço por cerca de uma hora por dia, sob a vigilância de guardas armados.

“Eles são educados e não estão usando violência física contra mim, mas fora isso é uma prisão”, diz ela.

Autor: Folha

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