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Vacina da Covid reduz risco de infarto e AVC em idosos – 17/06/2026 – Equilíbrio e Saúde

Estudo publicado na última segunda-feira (15) no JAMA Internal Medicine mostrou que a vacina atualizada contra a Covid-19 reduziu em cerca de 38% o risco de eventos cardiovasculares graves associados à doença, como infarto, AVC (acidente vascular cerebral), insuficiência cardíaca e morte com origem cardiovascular, em comparação a pessoas que receberam apenas a vacina da gripe.

Os pesquisadores do Departamento de Assuntos de Veteranos dos Estados Unidos e da Universidade Washington em St. Louis analisaram os prontuários eletrônicos de mais de 1 milhão de veteranos de guerra americanos que receberam a vacina contra gripe entre setembro e dezembro de 2024.

Desse total, 349.085 tomaram também a vacina contra Covid no mesmo dia. Essa comparação, segundo a pesquisa, foi feita para reduzir o “viés do vacinado saudável”, que pressupõe que pessoas que se vacinam tendem a ter comportamentos de saúde melhores em geral.

Os participantes receberam as formulações 2024-2025 das vacinas Moderna (65,4%) e Pfizer-BioNTech (34,1%), entre outras, como Novavax (0,5%). O estudo foi financiado pelo Departamento de Assuntos de Veteranos dos EUA, e os autores declararam não ter conflito de interesses.

Os participantes foram acompanhados por até oito meses. Durante esse período, os pesquisadores registraram quatro desfechos cardiovasculares graves relacionados à Covid: morte por evento cardiovascular, infarto agudo do miocárdio, AVC e internação por insuficiência cardíaca.

Os resultados mostram que o benefício foi especialmente significativo entre pessoas com mais de 75 anos, grupo com queda de 50,7% dos eventos cardiovasculares.

Nos demais grupos os resultados não foram estatisticamente significativos, ou seja, não é possível afirmar com segurança que a vacina da Covid protegeu essas faixas etárias contra episódios cardiovasculares. A média de idade dos participantes era de 70 anos.

De acordo com o estudo, a cada 10 mil pessoas vacinadas, dois eventos cardiovasculares graves associados à Covid foram evitados, em comparação ao grupo que não tomou a vacina. Os pesquisadores destacam que, ao considerar todos os eventos cardiovasculares —não apenas os confirmadamente ligados à Covid—, o número sobe para cerca de 24 eventos evitados para cada 10 mil pessoas.

Em uma população de 1 milhão de pessoas, os autores estimam que a vacinação poderia evitar cerca de 1.580 mortes e 2.370 eventos cardiovasculares adversos em oito meses.

O estudo enfatiza que a eficácia relativa da vacina foi estatisticamente significativa nos subgrupos com e sem comorbidades. Ainda assim, o benefício absoluto foi substancialmente maior em indivíduos com doenças pré-existentes, como doença cardiovascular, doença renal crônica, doença pulmonar crônica, diabetes e imunossupressão.

Os pesquisadores ressaltam, no entanto, que essa projeção deve ser interpretada com cautela, dado o caráter observacional do estudo e o fato de ter sido realizado apenas com veteranos americanos, uma população predominantemente branca, masculina e com idade avançada.

Os autores também pontuam que a eficácia da vacina atual é menor do que a registrada nos primeiros anos da pandemia, o que atribuem à evolução do vírus, à imunidade adquirida por infecções anteriores e à maior dificuldade de detectar infecções em um cenário em que os testes são realizados com menos frequência.

Por que a vacina protege o coração?

A pesquisa indica que a infecção pelo SARS-CoV-2 desencadeia processos inflamatórios e de coagulação que danificam os vasos sanguíneos e aumentam o risco de formação de trombos, que são coágulos que podem provocar infarto ou AVC. Ao reduzir a gravidade da infecção, a vacina reduz esses mecanismos de dano vascular.

Os pesquisadores alertam, ainda, que o benefício sobre eventos cardiovasculares de outras causas foi muito maior do que o observado nos casos comprovadamente associados à Covid. Para os autores, isso indica que uma parcela significativa das complicações cardiovasculares provocadas pelo vírus ocorre em pessoas que não chegam a testar positivo para a doença.

Autor: Folha

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