
Em Dia D, Steven Spielberg retorna à ficção científica para retratar o pânico global gerado pela descoberta de segredos alienígenas. O filme, centrado na jornada de um funcionário que rouba tecnologia secreta, provoca divergências acentuadas entre os críticos: se a forma é amplamente reconhecida como competente, a estrutura narrativa é o grande ponto de atrito, oscilando entre o elogio à execução e a desaprovação de uma premissa considerada obsoleta.
Para o The Critical Drinker, a obra é um “festival de bocejos” marcado por uma trama genérica e previsível que remete a clichês dos anos 90 sem gerar impacto. O crítico reprova a falta de surpresas no enredo e classifica o vilão de Colin Firth como uma figura plana, desprovida de motivações que desafiem verdadeiramente os protagonistas.
Na visão do Drinker, o filme evidencia um suposto distanciamento de Spielberg em relação ao público contemporâneo. Ao tentar resgatar estéticas passadas sem adaptação emocional ou intelectual, o diretor falha em criar engajamento, resultando em uma experiência de duas horas e meia que o autor considera um sinal do declínio criativo do cineasta.
Otávio Ugá, do Canal Super Oito, oferece uma perspectiva mais equilibrada, reconhecendo que o roteiro de David Koepp apresenta falhas, como o uso de tecnologias convenientes e anacronismos ao ignorar a era digital. Entretanto, ele pondera que a condução de Spielberg eleva o material, transformando um texto mediano em uma experiência envolvente.
Segundo Ugá, o domínio técnico na composição de planos e a trilha sonora de John Williams, somados às atuações intensas de Emily Blunt e Josh O’Connor, tornam o filme uma “bela vitória”. Embora não seja uma obra-prima, o crítico argumenta que o longa se afasta da mediocridade graças à habilidade do diretor em imprimir magia à narrativa.
Waldemar Dalenogare, do canal Dalenogare Críticas, destaca a contemporaneidade da trama ao abordar a terceirização de documentos secretos por empresas privadas, um diferencial em relação aos trabalhos anteriores do diretor. Ele também elogia o desempenho de Josh O’Connor, apontando-o como uma das grandes revelações da atualidade.
Dalenogare reconheceo que, embora o roteiro dependa de uma mídia televisiva datada e soe desconectado da realidade atual, a experiência no cinema permanece válida. Para o crítico, a trilha sonora de John Williams é fundamental para dar ritmo à narrativa, consolidando o filme como uma boa obra, apesar de suas escolhas de tom analógico.
Autor: Gazeta do Povo








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