Uma fazenda de café no Espírito Santo registrou um fenômeno raro e prejudicial para a colheita: os pés de café floriram quando já estavam carregados de frutos maduros. O motivo: as chuvas fora de época que caíram neste mês na região.
A florada do café costuma ocorrer entre setembro e novembro, quando ocorrem as primeiras chuvas intensas após o período de seca.
Nos meses de inverno é quando ocorre a colheita. Mas a florada no meio de junho, como ocorreu após as chuvas deste mês, pode atrapalhar a colheita e o desenvolvimento dos frutos.
“Nós estamos colhendo, e a flor geralmente cai quando colhemos, seja com máquina ou à mão”, diz Eduardo Bortolini, dono da fazenda Chapadão, em Linhares (a 140 km de Vitória). “A lavoura sente demais porque a lavoura tem que suprir o grão e suprir a florada, porque a maior energia que ela gasta é para a florada. Então o que ela tende a fazer? Jogar o grão fora. Então nós temos que acelerar a colheita ali.”
A fazenda Chapadão tem 310 hectares de café. Toda a lavoura é irrigada. Ainda assim, o produtor teme os efeitos do El Niño, que tende a ser de intensidade forte neste ano.
“O último El Niño forte foi em 2015 e prejudicou demais, muito mesmo. Então todo mundo fica muito assustado. Não é problema de irrigação, é problema de clima mesmo, de calor excessivo”, diz Bortolini.
Segundo a NOAA (Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos EUA), há 63% de chance de o fenômeno alcançar intensidade muito forte entre novembro e janeiro, e que há uma possibilidade de figurar entre os recordes do fenômeno desde o início dos registros, em 1950.
Isso pode atrapalhar o regime regular de chuvas em regiões produtoras de café, incluindo o Espírito Santo.
O jornalista viajou a convite da Nescafé.
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Autor: Folha




















