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Café: preço sobe por crise climática; entenda – 24/06/2026 – Café na Prensa

O consumidor está pagando o preço da crise do clima até na xícara. Uma pesquisa do Climate Central mostra que as mudanças climáticas provavelmente são as principais responsáveis pelo aumento no preço do café nos últimos anos.

O Brasil, que produz um terço do café do mundo, acumulou, entre 2021 e 2025, 70 dias extras de excesso de calor por ano que não existiriam sem as mudanças climáticas.

Em um mundo sem poluição por carbono, o Brasil teria hoje, em média, 117 dias por ano de calor prejudicial às lavouras de café. Com as mudanças climáticas, esse número chega a 187 dias. Ou seja, de cada quatro dias no Brasil, um já é um dia que o clima não deveria ser tão quente se não fosse pela crise do clima causada pela ação humana.

O relatório define como dias com temperatura prejudicial para as lavouras aqueles que registram máxima de ao menos 30°C. Isto porque esse patamar é considerado extremamente prejudicial para espécie arábica –a maior parte do que é cultivado no Brasil– e abaixo do ideal para os do tipo conilon ou robusta.

A metodologia usada pela Climate Central compara dois mundos: o mundo real, com temperaturas observadas, e um mundo contrafactual simulado —como seria o clima se não houvesse emissões de carbono acumuladas desde a industrialização. A diferença entre os dois mundos, medida em dias acima de um limiar crítico de temperatura, é o que se pode atribuir causalmente às mudanças climáticas.

Mas como exatamente esse aumento do calor impacta na xícara do consumidor? O estresse térmico causa uma floração irregular, o abortamento de frutos, a redução na qualidade do grão e a proliferação de pragas e doenças.

Tudo isso compromete a safra e faz com que o preço da matéria-prima dispare. O preço do café verde na Bolsa da Nova York saltou de US$ 1 por libra-peso em meados de 2019 para mais de US$ 4 em 2025.

O estudo analisou 25 países produtores de café, que, juntos, respondem por 97% da produção global. Todos eles registraram mais calor nos últimos cinco anos devido às mudanças climáticas.

Os cinco maiores países produtores de café (Brasil, Vietnã, Colômbia, Indonésia e Etiópia), responsáveis por 75% da oferta mundial, tiveram em média 57 dias extras de calor prejudicial ao café por ano em decorrência das mudanças climáticas –a média geral dos 25 países é de 47 dias.

Por fim, o relatório aponta algumas práticas que podem contribuir para a mitigação do problema. Uma delas é o cultivo em área sombreada, pois a menor incidência direta de sol evita o calor excessivo. Outra opção seria migrar o cultivo para regiões mais altas, com temperaturas mais amenas; mas isso poderia acelerar o desmatamento em novas fronteiras, o que agravaria o problema.

Os pesquisadores ainda alertam que, se nada for feito, a área propícia para cultivo de café no mundo pode cair 50% até 2050.

O relatório foi divulgado no início desse ano e está disponível na íntegra no site do Climate Central, organização dedicada a pesquisar os impactos das mudanças climáticas no mundo.

Café da semana: o catuaí vermelho cultivado em Barra do Choça, na Bahia, e torrado pela Oli Cafés Especiais, é um daqueles grãos que lembram os ótimos cafés lavados quenianos, com acidez cítrica. Para tomar uma caneca grande, e repetir.

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Autor: Folha

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