Acabou a paz para a Inglaterra. Os dias de quietude da base em Kansas City ficaram para trás na Copa do Mundo. Neste domingo (5), às 21h, o English Team vai encarar o time e a torcida do México no caldeirão armado do Estádio Azteca.
Os rivais do jogo nas oitavas de final vivem duas Copas completamente diferentes na logística, o que pode fazer diferença em campo de certa maneira.
De um lado, os ingleses já percorreram quatro sedes, experimentando diferentes condições em jogos disputados em Dallas, Boston, Nova Jersey e Atlanta.
De outro, o coanfitrião México ainda não precisou sair de seu país. Com exceção de uma partida em Guadalajara, todos os confrontos aconteceram no emblemático Azteca, com o empurrãozinho da altitude da Cidade do México, 2.240 m acima do nível.
“É uma grande desvantagem para nós”, reclamou o técnico alemão Thomas Tuchel, que comanda a seleção inglesa. “O México está jogando lá desde que o torneio começou e está adaptado à altitude. Nós não teremos tempo de adaptação.”
“Isso é uma grande desvantagem”, repetiu ele.
A despeito da altitude, o treinador mexicano Javier Aguirre prefere destacar o reforço das arquibancadas. “A grande diferença, sem dúvida, é jogar em casa. É o nosso 12º jogador. Sabemos que temos o país inteiro nos apoiando e isso nos motiva muito.”
Conhecida por sua hospitalidade, a torcida mexicana também tem deixado os bons modos de lado na fase de mata-mata. Na noite anterior ao confronto da fase de 32 seleções, centenas de apoiadores da seleção de Aguirre fizeram buzinaço, cantoria, motociata e todo tipo de barulho para perturbar o sono dos equatorianos.
O incômodo gerou protesto formal da federação equatoriana à Fifa. “A FEF faz um respeitoso apelo às autoridades competentes para que deem maior atenção a esses acontecimentos e adotem as medidas necessárias para salvaguardar a integridade de nossos jogadores.”
Agora, foi a vez de a seleção inglesa ser recebida com muitas vaias na chegada ao hotel, apesar de a federação fazer o possível para manter a localização do English Team sob segredo.
De acordo com as autoridades, a segurança foi reforçada nos arredores da sede dos europeus. A segurança também foi intensificada de modo geral após a morte de quatro pessoas nas comemorações pela vitória na fase de 32.
Altitude e buzinaço à parte, o zagueiro Guéhi diz estar pronto para encarar a torcida rival. “Você participa dessas competições para jogar contra as melhores equipes, em ambientes incríveis. É uma partida que todos nós estamos ansiosos para jogar.”
O atleta do Manchester City também acredita que as condições extracampo transformam os ingleses em azarões. “Eu diria que eles são os favoritos. Jogam em casa e conhecem o ambiente muito melhor. Não sofreram gols até agora e têm um aproveitamento perfeito.”
Em quatro partidas, apenas México e Espanha não tiveram sua meta vazada. Os mexicanos somam quatro vitórias, com oito gols —três deles de Quiñones, artilheiro do último Campeonato Saudita pelo Al-Qadsiah, à frente do inglês Toney (reserva nesta Copa) e do português Cristiano Ronaldo.
Os ingleses têm três vitórias e um empate, com oito gols feitos e três sofridos. Harry Kane é o principal nome da seleção, com cinco gols.
A lateral direita continua sendo o principal problema da equipe desde a contusão de Reece James. Spence, que joga habitualmente pelo lado esquerdo, não agradou ali. O zagueiro Konsa pode ser deslocado para o setor caso o experiente Stones entre no time.
A partida no Azteca também guarda um significado histórico, e triste, para os ingleses. Foi lá que a seleção foi eliminada nas quartas de final da Copa de 1986 para a Argentina.
O jogo ficou marcado por ter sido palco do gol brilhante de Maradona, driblando meio time inglês, e pelo infame gol marcado por ele com a mão, conhecido como “la mano de Dios”, que completou 40 anos neste Mundial.
“É um bom momento para fazer as pazes com o estádio… Ele nos recompensará. É o carma”, disse o alemão Tuchel, vestindo a camisa do English Team.
A partida marca a despedida do México como anfitrião. A Copa ainda terá mais uma partida nas oitavas de final em Vancouver, entre Suíça e Colômbia. Os demais confrontos até a decisão acontecem somente em solo americano.
Quem vencer o duelo no Azteca enfrenta nas quartas de final o classificado entre Brasil e Noruega, que jogam mais cedo em Nova Jersey.
Autor: Folha








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