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Rússia e China anunciam exercícios militares conjuntos no Pacífico

As Marinhas da China e da Rússia realizarão em julho uma nova etapa de exercícios militares conjuntos nas águas e no espaço aéreo do leste chinês, seguida por patrulhas marítimas em áreas consideradas estratégicas do Oceano Pacífico. O anúncio foi feito neste domingo (5) pelo Ministério da Defesa da China.

Batizadas de “Mar Conjunto-2026”, as manobras ocorrerão nas proximidades do porto de Qingdao, na província de Shandong, às margens do Mar Amarelo, segundo informações da agência EFE. Após os exercícios, parte das forças navais dos dois países seguirá para operações de patrulhamento em regiões relevantes do Pacífico.

O governo chinês não informou as datas exatas nem o itinerário das patrulhas. Na edição de 2025, entretanto, as operações se estenderam em direção à ilha de Guam, ao Estreito de Bering e a áreas próximas ao Havaí.

Segundo o Ministério da Defesa chinês, os exercícios fazem parte do plano anual de cooperação militar entre Pequim e Moscou e têm como objetivo “enfrentar conjuntamente desafios de segurança e manter a paz e a estabilidade regionais”.

O anúncio ocorre poucos dias após forças aéreas dos dois países realizarem uma patrulha conjunta sobre o Mar do Japão, o Mar da China Oriental e o Pacífico Ocidental, operação que levou Japão e Coreia do Sul a mobilizarem seus meios militares. Tóquio também apresentou um protesto diplomático a Pequim e Moscou, manifestando “profunda preocupação” com a atividade militar.

Ao mesmo tempo, a Guarda Costeira chinesa retomou patrulhas e inspeções de embarcações nas águas a leste de Taiwan. A operação, iniciada em junho, foi criticada por Taiwan e por países europeus, que a classificaram como um fator de instabilidade para a região e uma ameaça à liberdade de navegação.

Cooperação militar

Os novos exercícios também acontecem em meio às tensões entre China e Estados Unidos em torno de Taiwan. Pequim mantém pressão militar constante sobre a ilha, considerada pelo governo chinês parte inseparável de seu território, enquanto Washington segue apoiando Taipei. Na semana passada, autoridades chinesas voltaram a pedir que os Estados Unidos adotem “máxima cautela” em relação ao tema.

Além da disputa envolvendo Taiwan, a China mantém conflitos territoriais com o Japão pelas ilhas Diaoyu – chamadas de Senkaku pelos japoneses –, no Mar da China Oriental. Pequim também reivindica praticamente toda a extensão do Mar da China Meridional, uma das principais rotas marítimas do mundo e alvo de disputas com diversos países do Sudeste Asiático.

Apesar desse cenário, as águas próximas a Qingdao, onde ocorrerão os exercícios, ficam entre mil e quase dois mil quilômetros das principais áreas em disputa com Japão e Filipinas.

China e Rússia intensificaram significativamente sua cooperação militar desde o início de 2022, pouco antes da invasão russa da Ucrânia. Desde então, os dois países passaram a realizar exercícios conjuntos com frequência e fortaleceram sua parceria estratégica, marcada também por sucessivas visitas dos presidentes Xi Jinping e Vladimir Putin aos respectivos países.

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Autor: Gazeta do Povo

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