
Um investimento de R$ 60 milhões colocará a Universidade Federal do Paraná (UFPR) entre os principais polos brasileiros de pesquisa em hidrogênio de baixa emissão de carbono. A instituição venceu um edital da Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii), vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, para implantar um Centro de Competência na área, em um mercado que pode acrescentar até R$ 7 trilhões ao Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro até 2050, segundo estimativa da consultoria LCA.
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O projeto vai “turbinar” a planta piloto recém-inaugurada na UFPR, que tem como foco a tecnologia de produção do hidrogênio verde com biogás, desenvolvida há cerca de 15 anos por pesquisadores no Paraná. A UFPR disputou com outras 15 propostas.
“Avançamos duas fases disputadas e, após visitas técnicas e sabatinas, no final fomos a única selecionada para implantar o Centro de Competência. São R$ 60 milhões vindos do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, além da possibilidade de captarmos outros R$ 20 milhões com o apoio das indústrias do Paraná”, explicou Helton José Alves, coordenador do Centro de Competência.
O presidente da Embrapii, Alvaro Prata, destacou a capacidade da rede de inovação na busca por soluções sustentáveis para a indústria brasileira. “Ao reunir pesquisadores, empresas e infraestrutura de excelência em torno das demandas tecnológicas relacionadas ao hidrogênio, criamos um ambiente propício para o desenvolvimento de soluções que vão proporcionar impacto econômico, ambiental e social para o país”, afirmou Prata.
Centro vai priorizar biomassa e biogás na produção de hidrogênio
O objetivo do investimento é atuar diretamente na geração de conhecimento, formação de talentos e desenvolvimento de soluções inovadoras, todas ligadas à produção do hidrogênio verde. Normalmente, ele é produzido por intermédio da eletrólise, mas a UFPR aposta na biomassa, no biogás e em outras alternativas.
“A proposta de início é investir na rota da biomassa e do biogás, que tem crescido muito e é uma matéria-prima abundante. Nossa proposta é diferenciada porque quer trabalhar na multirota, também com a eletrólise e outras tecnologias que produzem hidrogênio”, explica o coordenador do Centro de Competência.
As linhas de pesquisa da UFPR devem abranger, além da produção de hidrogênio com fontes sustentáveis, o armazenamento, o transporte e a segurança do hidrogênio, além de aplicações no setor de transportes, de fertilizantes, de combustíveis, de processos químicos e industriais, e de energia elétrica. “Faremos todo o investimento possível para desenvolver tecnologias escaláveis nacionalmente”, indica Alves.
Temos duas grandes vertentes: a rota da biomassa para escala industrial e o tema da mobilidade a hidrogênio. Todo investimento necessário faremos para desenvolver tecnologia nacional.
Investimento reforça estrutura e aproximação com a indústria
A maior parte do dinheiro será utilizada para investir em equipamentos e pesquisadores, além de reformar plantas piloto que fazem a interface entre a academia e a indústria. “Precisamos mostrar a importância disso para a indústria. Eles precisam ser solidários e investir recursos com cotas de patrocínio, pois as perspectivas de ganhos são enormes”, disse o coordenador do Centro de Competência.
O Centro de Competência recebeu cerca de 30 cartas de apoio de empresas brasileiras e estrangeiras, que mostraram interesse na associação tecnológica, prevista na chamada da Embrapii.
O projeto prevê a manutenção do Centro de Competência no Paraná por pelo menos quatro anos, renováveis mediante um novo credenciamento. “Para manter esse potencial aqui, precisamos que as empresas e entidades do Paraná comprem essa ideia. Temos metas a cumprir e espero que abracem essa causa”, conclui Alves.
Autor: Gazeta do Povo








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