A forma como a Fifa conduziu dois casos de cartões vermelhos na Copa do Mundo voltou a ser alvo de questionamentos nesta quinta (9), depois que o zagueiro inglês Jarell Quansah recebeu suspensão de dois jogos, enquanto o atacante americano Folarin Balogun escapou de uma punição imediata por uma falta considerada semelhante.
A diferença entre as decisões deixou ex-árbitros internacionais sem conseguir explicar o tratamento dado aos dois casos.
Quansah foi expulso na vitória da Inglaterra sobre o México, pelas oitavas de final, após revisão do VAR concluir que sua entrada de carrinho, com as travas da chuteira voltadas para a frente, configurava jogo brusco grave. Posteriormente, ele recebeu suspensão de dois jogos, decisão que, segundo a Federação Inglesa, não pode ser alvo de recurso.
Balogun foi expulso na vitória dos Estados Unidos sobre a Bósnia, na fase de 32 seleções, e recebeu suspensão de um jogo. Posteriormente, porém, a Fifa suspendeu a aplicação dessa punição.
Segundo a entidade, a suspensão foi colocada em caráter probatório por um ano com base no artigo 27 do Código Disciplinar. A Fifa, no entanto, não explicou publicamente por que considerou essa medida adequada para o caso do atacante.
O fato de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ter pedido pessoalmente ao presidente da Fifa, Gianni Infantino, que revisasse o caso de Balogun aumentou ainda mais a controvérsia, embora a entidade afirme que a conversa não teve influência na decisão.
“A Fifa falhou com o futebol ao adiar a suspensão de Balogun. Ela permitiu interferência externa do presidente”, escreveu o ex-árbitro Keith Hackett nas redes sociais nesta quinta-feira (9).
“A Fifa, principal responsável pelas regras do jogo, errou. Mas ambos os jogadores cometeram faltas por jogo brusco grave punidas corretamente com cartão vermelho.”
Infrações praticamente iguais
Jonas Eriksson, árbitro da Fifa por 16 anos, entre 2002 e 2018, afirmou que, se Balogun recebeu suspensão de apenas uma partida, Quansah deveria ter sido punido da mesma forma, já que os dois lances apresentaram nível semelhante de intensidade e agressividade.
“O que todos esperam dos árbitros é que tomem as decisões corretas, sim, mas mais importante ainda é a consistência”, disse Eriksson à Reuters.
“Que o jogador A receba a mesma punição que o jogador B. Que o time A seja tratado da mesma forma que o time B. É isso que se espera. E isso não aconteceu nos casos de Quansah e Balogun.”
A imprensa britânica rapidamente comparou os dois episódios. O jornal The Independent, por exemplo, publicou a manchete: “Fifa confirma suspensão de Jarell Quansah poucos dias após aliviar punição de Folarin Balogun”.
Eriksson afirmou que a decisão de suspender posteriormente o cumprimento da punição de Balogun nunca foi devidamente explicada, o que alimentou ainda mais a polêmica.
A Bélgica contestou, sem sucesso, a condição de jogo de Balogun antes de vencer os EUA por 4 a 1 nas oitavas de final. A Fifa continua sem explicar publicamente por que decidiu suspender a punição do atacante com base no artigo 27.
“Se você não consegue comunicar como interpretou a situação —se foi uma decisão incorreta do árbitro ou uma aplicação equivocada das regras do jogo— nós simplesmente não sabemos”, afirmou Eriksson, autor do livro “House of Cards”, que aborda os bastidores da arbitragem na Fifa.
“Resta a mim, a você e a todo mundo apenas especular. E, diante disso, o cartão vermelho para Quansah e a suspensão de dois jogos continuam sendo, para mim, um mistério.”
Autor: Folha








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