Yamal tinha razão quando disse que a Espanha não tinha motivos para temer a França. No mais aguardado confronto da Copa do Mundo até aqui, a campeã europeia soube controlar o potente ataque do adversário e aproveitou suas chances para triunfar por 2 a 0 no AT& T Stadium, em Arlington, e avançar à decisão.
Oyarzabal, de pênalti, no primeiro tempo, e Pedro Porro, em tabela, no segundo, marcaram os gols que definiram o marcador nos arredores de Dallas, na tarde de terça-feira (14). Do outro lado do campo, a melhor defesa da competição cumpriu muito bem seu papel, limitando as oportunidades de Mbappé, Olise e Dembélé..
A França chegou à partida com 16 gols em seis jogos, com uma prolífica linha de frente que criara problemas para todos os adversários. Diante de Marrocos, nas quartas de final, por exemplo, a vitória por 2 a 0 foi construída com 22 finalizações, oito no alvo. Desta vez, foram dez conclusões, várias delas no desespero, já na parte final do duelo. E só três no alvo.
Os espanhóis conseguiram controlar o jogo de passes e também as tentativas de contra-ataques dos franceses, com o goleiro Unai Simón bem adiantado. No final, em delírio, seus torcedores gritaram “olé”. E o time foi à decisão com apenas uma bola buscada na própria rede em sete partidas.
A Fúria está na final do Mundial pela segunda vez em sua história. Na primeira, em 2010, na África do Sul, derrotou a Holanda por 1 a 0, com um gol de Andrés Iniesta na prorrogação. Desta vez, o adversário sairá do duelo entre Inglaterra e Argentina, que se enfrentarão na tarde de quarta (15), em Atlanta.
Em Arlington, o jogo no primeiro tempo se desenvolveu mais ou menos de acordo com o que se imaginava, do ponto de vista tático. A formação espanhola tinha mais a bola e procurava rodá-la em busca do espaço. A francesa tentava atrapalhar a saída do adversário quando possível; quando não era, posicionava-se para contra-atacar com seus letais e velozes homens de frente.
Poderia ter dado certo em lançamento de Dembélé para Mbappé, após passe de Olise, mas Porro apareceu bem para frustrar o contragolpe. Era o retrato de uma partida um tanto amarrada, na qual os dois sistemas defensivos sobressaíam sobre os ataques.
Aí, em um lance aparentemente controlado, Digne vacilou. Em uma chegada quase despretensiosa da Espanha, com cruzamento de Cucurella, a bola ficou sob domínio do lateral esquerdo, que girou para afastá-la e não percebeu a presença de Yamal. O garoto se antecipou e foi atingido. Pênalti, bem cobrado por Oyarzabal, aos 22 minutos.
A França perdeu pouco depois o zagueiro Saliba, lesionado, substituído por Lacroix. E procurou desequilibrar o sistema de marcação do rival trocando as posições de Olise e Dembélé. Mas a última chance antes do intervalo foi da equipe de branco, em erro de saída do goleiro Maignan. Após bons passes de Baena, Rodri, Olmo e Yamal, Ruiz foi bloqueado na pequena área.
A opção de Deschamps para a etapa final foi a entrada de Koné no meio, no lugar do pendurado Rabiot. Pouco depois, ele tentou a mexida que dera certo contra o Paraguai, com Doué no lugar de Koné. No minuto seguinte, aos 12, a Espanha ampliou: Porro tabelou com Olmo, não foi acompanhado pela marcação e bateu na saída de Magnan.
Mbappé fez sinal de calma para os companheiros, que pareciam frustrados com o desenho do jogo. Seu técnico lançou mão do que tinha à sua disposição, colocando em campo Theo Hernández, Cherki. Houve ataques na parte final, em momento de desespero que inflaram as estatísticas de finalização sem colocar em risco o triunfo do adversário.
Em um grande teste, a Espanha passou. E chega com moral à final. Após um surpreendente empate por 0 a 0 com Cabo Verde na estreia, o time acumulou seis vitórias seguidas, castigando Arábia Saudita (4 a 0), Uruguai (1 a 0), Áustria (3 a 0), Portugal (1 a 0) e Bélgica (2 a 1) antes de encontrar a França.
Os comandados de De la Fuente têm agora 13 gols marcados e um sofrido na América do Norte, com uma passagem pelo México e o restante dos jogos nos Estados Unidos. Os números que mais importarão, porém, serão os do placar do MetLife Stadium, em East Rutherford, nos arredores de Nova York, no fim da tarde de domingo .
Autor: Folha








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