Poderemos ver mil e uma vezes seus gols, suas assistências, suas comemorações e suas lágrimas na Copa do Mundo de 2026, mas se a pergunta é o que Lionel Messi nos deixou nesta Copa do Mundo, a resposta mais importante está longe dos jogos.
O “10” da Argentina nos seduziu com a ideia de que a vida oferece uma segunda chance e de que é possível deter, pelo menos por alguns anos, o passar do tempo. Ou até mesmo fazer com que ele jogue a nosso favor.
Aos 39 anos, Messi buscará neste domingo o título mundial no mesmo estádio em cujas entranhas, após perder pela segunda vez consecutiva para o Chile a final da Copa América, anunciou em 2016 que se aposentava da seleção argentina.
Essas duas derrotas inusitadas pesavam, mas também o fato de ter visto de tão perto o troféu da Copa do Mundo no Brasil, em 2014, e de tê-lo perdido para a Alemanha.
Anos atrás, durante uma longa conversa na Suíça, Joseph Blatter, que naquele torneio ainda presidia a Fifa, afirmou o seguinte após premiá-lo como o melhor jogador do torneio: “Messi falava sozinho, repetia para si mesmo sem parar: ‘O melhor, mas não o campeão’.”.
Quem conhecia bem Messi se permitiu duvidar que aquele anúncio de aposentadoria fosse real, definitivo. E foi assim mesmo: em poucas semanas, Messi voltou à seleção para dar forma aos seus melhores anos.
Com futebol e com algo mais, como explicou Cristina Cubero, uma jornalista espanhola que construiu uma ótima relação com o argentino desde sua juventude, em uma entrevista concedida por Marina Zucchi nesta semana ao Clarín:
“Fica-se mais jovem ao estar com pessoas que têm tudo pela frente, que têm tudo para viver, que te ouvem e têm os olhos bem abertos. Leo está vivendo isso. O grupo lhe dá vida. É como se os jovens quisessem entrar no corpo dele para absorver um pouco de sua sabedoria e de seu futebol. E, ao mesmo tempo, ele se conecta com a juv entude deles”.
Em seus primeiros anos na seleção, Messi era a jovem promessa que olhava para os veteranos, cheio de esperança: Copa do Mundo da Alemanha em 2006, Copa América da Venezuela em 2007, Jogos Olímpicos de Pequim em 2008.
Depois vieram a maturidade e a decepção com companheiros de sua mesma geração: Copa do Mundo da África do Sul em 2010, Copa América da Argentina em 2011, Copa do Mundo do Brasil em 2014, as duas Copas América de 2015 e 2016 e Copa do Mundo da Rússia em 2018.
Até que, no Brasil em 2021, a sorte mudou. Messi já era o veterano de um grupo de jogadores que, quando crianças, tinham o pôster com sua imagem colado nos quartos. Algo mágico aconteceu: a Argentina venceu a Copa América de 2021 e a de 2024, a Copa do Mundo e a Finalissima de 2022, e neste domingo (19) buscará um novo título.
Como isso é possível? “É simples”, diz à coluna Carlos Mac Allister, que jogou com Diego Maradona na seleção e é pai de Alexis. “Quando você é um jogador de futebol que se alimenta bem, que se cuida, tem o apoio da família e dorme bem, pode chegar a jogar até os 40 anos em um bom nível, e um pouco mais também.”
E mais uma coisa: não se deixem enganar pelas estatísticas, entendam o homem que está mais sábio e eficaz do que nunca em um campo de futebol.
Como destacou o analista Juan Pablo Varsky, na vitória sobre a Inglaterra, Messi perdeu 33 bolas e errou um em cada quatro passes. Mas deu as duas assistências para os gols da vitória. Ele foi o melhor, porque com perseverança, alma e coração também se vence.
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Autor: Folha








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