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Argentina não encontra roedores com cepa de hantavírus – 13/06/2026 – Equilíbrio e Saúde

Nenhum dos exemplares de roedores analisados por cientistas na província argentina de Mendoza era da espécie que pode portar a cepa de hantavírus transmissível entre humanos, anunciou nesta sexta-feira (12) o Ministério da Saúde do país, no âmbito da investigação sobre o surto ocorrido no cruzeiro MV Hondius.

O governo argentino realizou uma amostragem semelhante em maio na Terra do Fogo (sul), província onde se encontra Ushuaia, de onde partiu em 1º de abril o cruzeiro no qual teve origem um surto desse vírus. Nessa investigação também não foi encontrado nenhum colilargo, como é conhecido o roedor capaz de portar a cepa Andes do hantavírus.

Os profissionais instalaram mais de 250 armadilhas em diferentes áreas da periferia de Malargüe, cidade da província de Mendoza pela qual passou um turista neerlandês que, acredita-se, contraiu o vírus antes de embarcar no cruzeiro.

O caso ganhou repercussão internacional após um surto de hantavírus a bordo do navio de cruzeiro MV Hondius, que partiu de Ushuaia, na Argentina, em abril de 2026. Ao menos três pessoas morreram e diversos passageiros e tripulantes foram monitorados ou colocados em quarentena durante a viagem, que enfrentou restrições para atracar em diferentes países até chegar à Europa.

Os infectados apresentavam a cepa Andes, a única variante do hantavírus com transmissão documentada entre pessoas. Como a doença é endêmica em partes da Argentina, autoridades sanitárias investigam desde então a origem da infecção, incluindo a possível exposição a roedores infectados antes do embarque. Até o momento, porém, cientistas não encontraram na província de Mendoza exemplares do roedor portador da cepa relacionada ao surto.

“Na identificação preliminar realizada em campo, não foram detectados exemplares de Oligoryzomys longicaudatus, principal reservatório conhecido do vírus Andes na maioria da região patagônica”, afirmou o Ministério da Saúde em relatório.

Os cientistas encontraram, de forma “presuntiva”, exemplares de Abrothrix olivacea, uma espécie de roedor na qual já foi documentada a presença de anticorpos da cepa Andes, embora, por enquanto, ela não seja considerada um vetor importante.

“Os estudos de campo que realizamos até o momento não apresentaram evidências que permitam confirmar que os exemplares capturados estejam infectados”, afirma a doutora Carla Bellomo, do Serviço de Biologia Molecular do Malbrán, embora tenha esclarecido que as análises laboratoriais das amostras obtidas continuam em andamento.

A OMS (Organização Mundial da Saúde) contabiliza até o momento 13 casos confirmados ou prováveis de hantavírus vinculados ao surto do cruzeiro, incluindo três mortes.

A cepa Andes é endêmica do sul do Chile e da Argentina. Mendoza não registra circulação endêmica confirmada de hantavírus. Os especialistas ressaltam que o risco de propagação descontrolada permanece baixo.

Autor: Folha

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