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Copa: bares de Newark se preparam para brasileiros e ICE – 13/06/2026 – Esporte

Os últimos meses têm sido difíceis para o Boi Na Brasa, um restaurante brasileiro no coração do distrito de Ironbound, em Newark, região com forte presença latina e onde a seleção brasileira está treinando para a Copa.

As vendas caíram desde que agentes do Serviço de Imigração e Controle de Alfândega dos EUA (ICE) começaram a realizar operações de grande repercussão na área no ano passado.

O gerente Kalani Mubarak, cuja família é dona do estabelecimento, lembra-se de ter visto agentes do ICE prenderem um de seus clientes habituais quando ele chegava para comer.

Mubarak não viu mais o homem desde então. “Passamos por um longo período com muitos números vermelhos nas vendas”, disse.

Após uma rodada de demissões e redução de turnos, Mubarak está apostando na Copa do Mundo para trazer o fluxo de clientes que o restaurante precisa desesperadamente.

O estabelecimento vai sediar uma festa com ingressos para assistir ao jogo de estreia do Brasil contra o Marrocos neste sábado (13), com música ao vivo e bar ao ar livre.

Mas persistem os temores de que o ICE possa voltar —ou de que o medo por si só possa reduzir a presença do público. “Tem sido uma preocupação, mas tento dizer às pessoas: ‘Vocês estão seguros aqui, desde que não façam nada errado'”, disse Mubarak.

O Brasil, pentacampeão mundial, está entre os favoritos para conquistar a Copa, e sua fervorosa torcida historicamente comparece em massa.

Partes da Ferry Street —a principal via de Ironbound— serão fechadas durante os jogos, assim como para a celebração anual do Dia de Portugal na cidade, um evento de três dias que coincide com a primeira partida do Brasil.

‘O medo ainda está aqui’

Mas enquanto bares ao longo de toda a rua ampliam a capacidade e reforçam a segurança, alguns empresários guardam em silêncio o receio de que o público não corresponda às expectativas.

As memórias das recentes operações do ICE —que assustaram as pessoas, fazendo-as ficar em casa, e deixaram estabelecimentos como o de Mubarak vazios por dias— permanecem vivas na mente de muitos moradores.

“A Copa do Mundo está revelando que o medo ainda está aqui, porque estou ouvindo meus amigos falarem sobre isso, se perguntando se deveriam sair de casa”, disse Michel De Souza, 39 anos, torcedor brasileiro que vive nos EUA com visto temporário.

O Cozy Sports Bar and Grill, na Ferry Street, viu suas vendas caírem cerca de 75% no ano passado, disse a gerente Andrea Muniz.

Mais adiante na rua, no Sol-Mar, restaurante português de frutos do mar, a bartender Maria Perez lembrou-se de várias demissões e cortes de horas no ano passado.

É difícil prever o público deste fim de semana, disse Perez, porque muitos moradores locais dependem de usuários de redes sociais que enviam alertas quando o ICE é avistado nas proximidades. Normalmente, ela diz, o movimento diminui por alguns dias após esse tipo de alerta.

As operações do ICE no ano passado foram um “trauma coletivo”, disse Hazel Applewhite, diretora executiva do grupo de defesa comunitária Ironbound Community Corporation.

“Elas mudaram fundamentalmente o funcionamento da comunidade”, disse Applewhite. Em grandes reuniões, como festas para assistir à Copa do Mundo, “as pessoas agora examinam o ambiente em busca de rostos desconhecidos, estacionam mais longe e planejam rotas de fuga”.

A Copa do Mundo chega em um momento de tensões renovadas em relação à imigração em Newark, onde alguns detidos no Centro de Detenção Delaney Hall, nas proximidades, fizeram greves de fome devido a denúncias de tratamento médico e condições precárias.

Manifestantes contra o ICE têm se reunido nas imediações da instalação nas últimas semanas, às vezes entrando em confronto com as forças de segurança.

Para os estabelecimentos que investiram pesadamente em festas para assistir à Copa do Mundo, os riscos são altos.

Durante os dias de jogos da Copa de 2022, Mubarak disse que o Boi Na Brasa faturou cerca de cinco vezes mais do que suas vendas diárias típicas. Neste ano, ele estocou cerveja suficiente para consumir de 800 a 1.000 caixas durante o jogo de sábado, quatro vezes a quantidade de um dia normal.

Além do fantasma do ICE, a segurança é uma preocupação para o evento, disseram os empresários.

Na sexta-feira, policiais estavam posicionados do lado de fora da maioria dos estabelecimentos que planejavam festas para assistir aos jogos, embora o Departamento de Polícia de Newark não tenha respondido aos pedidos de detalhes sobre seus planos de segurança.

Mubarak contratou sua própria empresa de segurança, planejando ter dez seguranças posicionados em várias entradas do restaurante.

Autor: Folha

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