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AVC em crianças pode deixar sequelas – 19/06/2026 – Equilíbrio e Saúde

As novas diretrizes dos Estados Unidos para tratamento de acidente vascular cerebral (AVC) isquêmico trazem, pela primeira vez, recomendações específicas para crianças.

Elaboradas pela American Heart Association e pela American Stroke Association, as novas diretrizes destacam o reconhecimento rápido dos sintomas e a importância dos exames de imagem, além de estabelecerem critérios para tratamento em pacientes pediátricos.

O objetivo é acelerar o diagnóstico e o tratamento para reduzir o risco de sequelas. Embora mais raro, crianças também podem ter um AVC. Nelas, o evento está associado a problemas como malformação de vasos cerebrais, doenças cardiovasculares ou autoimunes e traumas.

“As recomendações pediátricas desta diretriz representam um avanço importante, porque reconhecem formalmente que crianças também têm AVC e que o atraso no diagnóstico continua sendo um dos principais obstáculos”, avalia a neurologista Gisele Sampaio, do Einstein Hospital Israelita.

“É um grande passo para padronizar decisões que antes dependiam de extrapolação da literatura adulta e de julgamento individual.”

Um acidente vascular cerebral pode ocorrer pelo bloqueio da circulação sanguínea no cérebro (AVC isquêmico) ou pelo extravasamento de sangue (hemorrágico). Em qualquer caso, cada minuto faz diferença. O AVC provoca a morte de células, podendo deixar sequelas nos movimentos e na fala e até levar a óbito.

Entre os principais sintomas, o documento destaca cefaleia súbita intensa com vômitos, sonolência ou convulsão, alteração visual e problemas de coordenação motora (ataxia).

Também valem os sinais clássicos do protocolo FAST (da sigla em inglês Face, Arms, Speech, Time), que avalia a presença de assimetria na face, fraqueza em um dos braços e dificuldade de fala. Diante de qualquer um deles, é preciso buscar atendimento imediatamente.

Novos critérios para tratamento

A diretriz descreve critérios para restabelecer o fluxo sanguíneo com medicamentos ou procedimentos para retirar os trombos, estabelecendo prazos para uso de medicamentos a partir de 28 dias de vida e a possibilidade de trombectomia mecânica (a retirada do coágulo via cateter) em crianças com mais de 6 anos.

O documento reconhece que escalas de triagem criadas para adultos não distinguem bem o AVC pediátrico, que pode ser confundido com outros distúrbios, como enxaqueca, epilepsia, trauma e tumores.

Para Sampaio, um ponto positivo é a ênfase em exames de neuroimagem rápida. A preferência é por ressonância magnética e angiorressonância, que analisa veias e artérias.

“Isso ajuda a afastar a possibilidade de outras doenças que podem apresentar sintomas similares e a diferenciar AVC isquêmico, hemorragia e outras causas”, explica a neurologista.

No caso de adultos, a nova diretriz também estabelece critérios mais amplos sobre quem pode receber o tratamento nas primeiras 24 horas. Isso inclui alguns casos antes considerados inelegíveis.

Autor: Folha

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