Crítica | SP
Cannoli do Calimano
R. Original, 139, Vila Madalena, região oeste. @cannolidocalimano
Quatro estrelas (Muito bom)
Lembra quando a Vila Madalena tinha casinhas charmosas com potencial de entrar para a nossa lista de lugares preferidos já na primeira visita? Senti essa nostalgia ao entrar no Cannoli do Calimano. Pelo jeito, outros clientes também. Em plena quarta-feira, 20h, quando o movimento de pizzarias famosas do entorno ainda era fraco, ali já não havia lugar.
A espera não foi demorada, e logo estávamos acomodados em uma das mesas de toalha plástica quadriculada. O salão aberto para a cozinha é barulhento. As paredes rústicas, de tijolos aparentes, recebem expressões em napolitano emolduradas, camisas de futebol e fotos de jogadores.
Entre uma abertura de massa e outra, ouve-se a voz rouca de um dos sócios, que parece receber os clientes com uma alegria genuína. Com essa atmosfera ao mesmo tempo caótica e acolhedora, numa casa cujo nome remete a uma cannoleria e não a uma pizzaria, eu não sabia bem o que esperar. Até que um aviso escrito no cardápio deu uma pista: “Não alteramos ingredientes. Quer inventar? Abra sua pizzaria“. A sinceridade e o apego às receitas pareceram um ótimo presságio.
Em estilo napolitano, as pizzas são preparadas com massa de fermentação lenta e ingredientes específicos deste método, como o tomate San Marzano e os queijos de massa filada (aqueles mais elásticos e fibrosos, como a muçarela fior di latte).
As apresentações são vistosas. Em especial a da pizza de burrata e prosciutto (R$ 79). Porções generosas de stracciatella (que é o recheio da burrata) com presunto cru e folhas de rúcula sobre molho de tomate somam-se num colorido que salta aos olhos. No balcão que separa cozinha e salão, deu para ver a montagem dos ingredientes muito frescos sobre o disco fumegante que tinha acabado de sair do forno.
Com a pizza, chega à mesa uma tesoura para o próprio cliente cortar os pedaços. Alguns endereços usam esse recurso como ferramenta de marketing para o discurso (acertado) de que a tesoura não maltrata a massa elástica da pizza napolitana como a faca. Ali, compatível com a postura direta, reta e sem frescuras, dispensa-se o falatório. Ninguém explica como usar o instrumento, nem por quê. Estão à sua frente uma pizza e uma tesoura. Dá para deduzir o que fazer com elas.
Provamos também a marguerita (R$ 68). Feita com molho de tomate, fior di latte, parmesão ralado (bem pronunciado) e manjericão. A zucchine (R$ 72) segue a mesma base, adicionando, é claro, a abobrinha em rodelas finas.
Todas seguem o padrão da pizza individual, de 30 centímetros de diâmetro. Mas, com coberturas robustas, dependendo da fome dá para pedir duas para compartilhar em três pessoas. Até porque é mandatório provar o doce que deu origem ao lugar.
Optei pelo cannolo tradicional, de ricota. Com casquinha crocante, recheio pouco doce e supercremoso. Não sou de pedir cannolo porque quase sempre me decepciono. Foi essa mesma sensação que motivou o jornalista Alexandre Caliman e a relações públicas Mônica Gamino a ir em busca da receita tradicional e a vender a produção que faziam em casa.
O projeto deu origem ao restaurante, que abre de quarta a domingo com pratos de massa no almoço e pizzas a partir das 18h. Já os cannoli podem ser pedidos a qualquer hora.
Autor: Folha









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