“Como pessoa, não muda nada. Mas, como jogador, eu ganho um pouco mais de respeito no circuito. E muda a confiança —confiar mais em mim, me encontrar, encontrar o Guto dentro de quadra.” Com essa frase, dita na entrevista à imprensa após a partida, Guto Miguel resumiu o que significa o título conquistado neste sábado (6) em Paris: mais do que um troféu, uma credencial. O goiano de 17 anos derrotou o americano Michael Antonius por 6/3 e 6/4, em 1h15, e se tornou o primeiro brasileiro a vencer o título de simples juvenil em Roland Garros.
Na coletiva, Guto respondeu com desenvoltura às perguntas de jornalistas estrangeiros em inglês e às dos brasileiros em português. “Foi muito trabalho duro, meu e da minha equipe, não só essa semana, mas por muitos e muitos anos. Acho que tudo valeu a pena agora. Estou muito feliz, aproveitando o momento, mas mantendo a humildade porque ainda temos muito a fazer.”
A torcida brasileira, maioria nas arquibancadas da quadra Simonne-Mathieu, foi tema recorrente. “Somos um país de futebol. A torcida sempre apoia muito e eu gosto de jogar com isso. Quero agradecer a todos que torceram por mim hoje. Nunca vou esquecer esse dia.”
Quando a comparação com Carlos Alcaraz foi feita pela Folha, Guto confirmou —e foi além. “Já me falaram isso. Meus treinadores, o Dumont e o Kike, me falam isso, por ser também um atleta físico. O meu físico é um pouco parecido com o do Alcaraz, claro, ainda estou muito longe do nível dele.” Ele reafirmou que a sua referência é o tenista João Fonseca.
O título chega num momento em que o tênis brasileiro vive uma de suas melhores fases. “O Brasil tem uma história incrível aqui no Aberto da França —o que o Guga fez, o que o Fonseca fez essa semana. E agora acho que fiz um pouco mais pelo Brasil. Acho que o Brasil está vivendo um bom momento de novo.”
Quando criança, seu ídolo era Novak Djokovic. Hoje é Fonseca. “A inspiração não vem do tipo de jogo —é mais da personalidade dele.”
Os dois nunca treinaram juntos, mas têm uma conexão. Na semifinal do US Open do ano passado, Fonseca lhe enviou uma mensagem: “Vamos, Guto, ‘keep believing, you got it’.”
“A gente não treinou junto, mas estamos conectados”, disse Guto.
Para os jovens brasileiros que o observam, deixou uma mensagem direta. “Estou mostrando que é possível, se trabalhar duro, acreditar no processo, acreditar nos treinadores. É um sonho que não é muito longe, mas é difícil de conquistar.”
E o sonho seguinte? “Seria um sonho voltar aqui no ano que vem jogando profissionalmente”, disse. “Mas é só viver o presente, aproveitar o momento, viver passo a passo essa trajetória, porque essa transição não é fácil.” E resumiu, como sempre repete: “Trabalho duro é a chave do processo.”
Autor: Folha




















