O senador Ciro Nogueira (PP-PI) negou, nesta quinta-feira (23), ter informado ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) que o PP adotará neutralidade no primeiro turno da eleição presidencial. A negativa foi transmitida por meio de sua assessoria à Gazeta do Povo e ocorreu após a divulgação de notícias que apontavam um encontro entre os dois parlamentares para tratar do assunto.
As publicações afirmavam que Ciro e Flávio Bolsonaro conversaram na quarta-feira (22), em um momento em que o senador do PL ainda busca consolidar uma aliança nacional com a federação PP-União Brasil.
A composição, no entanto, teria perdido força diante da necessidade de as duas legendas preservarem a autonomia de seus diretórios estaduais para formar alianças conforme a realidade de cada região.
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Na prática, esse cenário pode levar a federação a apoiar candidatos de direita em alguns estados, enquanto em outros poderá caminhar ao lado de aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A diversidade dos acordos regionais foi apontada como um dos principais fatores para dificultar um posicionamento unificado na disputa presidencial.
Outro elemento que estaria pesando nas discussões internas é o momento enfrentado pela pré-candidatura de Flávio Bolsonaro, com o surgimento de provas e evidências de envolvimento com o ex-banqueiro preso Daniel Vorcaro, dono do liquidado Banco Master. Entre elas o pedido de dinheiro para bancar um filme sobre a trajetória política do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), e a emissão de notas fiscais para uma empresa ligada ao conglomerado financeiro.
Também passou e pesar na dificuldade de articulação política a recente crise entre o senador e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que o acusou de destratá-la nas atividades partidárias e se colocar como único porta-voz de Bolsonaro durante a prisão domiciliar.
Segundo relatos, Ciro Nogueira estaria também insatisfeito com a falta de apoio de Flávio Bolsonaro quando foi alvo da quinta fase da Operação Compliance Zero, que descobriu que ele teria recebido mesadas de R$ 300 mil a R$ 500 mil de Vorcaro para atuar a favor de interesses do Banco Master no Senado. Entre eles a defesa de uma emenda à Constituição que ampliaria a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) dos atuais R$ 250 mil para R$ 1 milhão, o que permitiria ao banco ampliar significativamente a captação de dinheiro no mercado.
Essa mesma emenda teria sido defendida pelo senador Jaques Wagner (PT-BA), alvo da nona fase da Operação Compliance Zero, mediante o recebimento de vantagens financeiras como um apartamento de luxo em Salvador, viagens em jatinhos ligados ao grupo de Vorcaro, entre outras.
Flávio Bolsonaro vem enfrentando uma forte dificuldade em fechar uma aliança para seu projeto eleitoral também por conta das candidaturas próprias de partidos do centrão, como a de Ronaldo Caiado pelo PSD e Romeu Zema pelo Novo. Outras legendas ainda vêm pontuando o que seria uma falta de diálogo do senador em aceitar uma maior composição para o seu programa de governo, da chapa e da distribuição de espaços políticos.
Autor: Gazeta do Povo




















