
O presidente da França, Emmanuel Macron, afirmou nesta quarta-feira (21) que comentários de líderes estrangeiros sobre os protestos violentos no país registrados nas últimas semanas, incluindo do seu homólogo americano, Donald Trump, foram “estúpidos”.
Segundo informações da agência Associated Press, o mandatário francês disse a jornalistas durante visita ao Catar que houve “manipulação estrangeira de informações” sobre os tumultos.
“E isso levou a comentários que são tão inaceitáveis quanto estúpidos, vindos de muitas pessoas, incluindo líderes estrangeiros”, disse Macron.
Ao ser questionado por um jornalista se estava se referindo a Trump, Macron respondeu: “Entre outros”. O presidente francês também alegou que houve “imagens geradas por inteligência artificial retratando cenas que, na verdade, nunca aconteceram na França”.
“Houve pessoas alegando que fomos invadidos por hordas de migrantes e islamistas, o que é completamente falso”, afirmou.
Protestos contra o aumento do custo de vida e pedindo mais investimentos na educação tiveram início na França em setembro e descambaram para a violência, com saques, invasões, depredações e incêndios de prédios públicos e privados, confrontos com a polícia e cerca de 2,4 mil pessoas presas no fim de semana.
Comentando esses tumultos, Trump escreveu na rede Truth Social que “os imigrantes tomaram conta da França” e que as autoridades francesas “precisam fechar as fronteiras, e rápido”.
“O fato é que todas as pessoas que estão falando mal do nosso país neste momento são pessoas que não amam o nosso país”, disse Macron nesta quarta-feira. “Portanto, essas pessoas realmente me incomodam.”
“Quando vejo líderes que estão no meio de campanhas eleitorais — seja na região ou do outro lado do Atlântico — que, por vezes, repetem ingenuamente conteúdos gerados por inteligência artificial ou difundem narrativas que certos grupos tentam claramente promover sobre o que aconteceu na França, percebo que eles estão usando o nosso país para as suas próprias campanhas políticas. E nós não precisamos disso”, afirmou Macron.
Foi outra referência a Trump, que busca manter a maioria do Partido Republicano no Congresso americano nas midterms deste ano, as eleições de meio de mandato presidencial, marcadas para 3 de novembro e nas quais estarão em jogo as 435 cadeiras da Câmara federal e 35 dos cem assentos no Senado dos Estados Unidos.
Autor: Gazeta do Povo








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