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Cooperativas de crédito disputam caixa das prefeituras

Destinatários de apenas 18% do total de tributos arrecadados no país, os municípios não podem se dar ao luxo de assistir passivamente aos escassos recursos debandarem de seus territórios, na forma de aplicações ou investimentos fora da economia local. Esse tem sido o recado insistente da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) e do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) aos prefeitos: que depositem parte da disponibilidade de caixa das prefeituras em cooperativas de crédito, em vez de bancos convencionais, como forma de garantir que o dinheiro alavanque o desenvolvimento da própria comunidade e dos negócios locais.

“Quando a cooperativa consegue trabalhar com esse público municipal, esse recurso acaba girando no próprio município, não vai para grandes centros comerciais, grandes conglomerados no Brasil e fora do país. Então, não existe essa evasão dos recursos municipalistas, a gente tem um desenvolvimento local na prática”, sublinha Eduardo Queiroz, gerente de Relações Institucionais do Sistema OCB.

Faz relativamente pouco tempo que as cooperativas de crédito passaram a disputar o caixa das prefeituras. Até 2018, esses recursos ficavam restritos às instituições financeiras oficiais, com algumas exceções. A Lei Complementar 161/2018, de autoria do deputado Domingos Sávio (PL-MG), abriu espaço para as cooperativas captarem recursos de municípios, câmaras e outras entidades do poder local. Mais recentemente, a Resolução CMN 5.273/2025 ampliou esse limite. As cooperativas agora podem captar até o maior valor entre o montante coberto pelo fundo garantidor e 5% de seus depósitos à vista e a prazo.

Para cooperativas ligadas a sistemas de dois ou três níveis, o limite pode chegar a 6%. Elas também podem oferecer outros serviços financeiros a prefeituras e servidores. Segundo a OCB, a mudança ampliou em cerca de R$ 4 bilhões o acesso das cooperativas aos recursos municipais.