
O britânico Financial Times (FT), maior jornal econômico do mundo, afirmou nesta segunda-feira (5) que a vitória de Flávio Bolsonaro (PL) no primeiro turno da eleição presidencial brasileira, qualificando-se para o segundo turno com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no próximo dia 25, traduz mais as “fraquezas” do mandatário petista que os méritos do seu adversário.
O editorial do FT destacou que, assim como o presidente americano, Donald Trump, “desafiou as probabilidades” para conquistar um segundo mandato na eleição de 2024, “a família Bolsonaro tem grandes chances de protagonizar seu próprio retorno notável”.
“Uma vitória do Bolsonaro mais jovem coroaria uma trajetória notável de candidatos alinhados a Trump na América Latina. A direita já venceu todas as sete eleições presidenciais realizadas na região desde o retorno de Trump à Casa Branca, em muitos casos com campanhas no estilo MAGA [sigla em inglês para Faça a América Grande de Novo, bordão de Trump e seus apoiadores]. O México seria a única grande economia da região ainda governada pela esquerda”, afirmou o jornal.
O FT alegou que tal retorno, caso seja confirmado no segundo turno, “reside menos nas realizações de Flávio Bolsonaro — um candidato medíocre — e mais no fracasso de Lula”.
“Não se pode descartar uma recuperação tardia de Lula, especialmente se surgirem novas denúncias de corrupção contra seu oponente, mas suas fraquezas como candidato ficaram evidentes nesta campanha”, apontou o jornal britânico.
Entre essas fraquezas, o FT citou as “dificuldades para convencer os eleitores de que possui uma resposta eficaz para a ascensão das facções do narcotráfico” e o fato de muitos setores da esquerda darem “a impressão de não considerarem essa questão uma prioridade”; a “política fiscal frouxa”, que “contribuiu para taxas de juros muito elevadas, que penalizam os 82% das famílias brasileiras que possuem dívidas pessoais”; e “recorrer com excessiva frequência à zona de conforto do seu partido de esquerda, o PT, o que o deixou mais isolado politicamente desta vez”.
“O maior problema de Lula é que ele se tornou parte da paisagem política de Brasília. Esta é a sua sétima candidatura à presidência — a primeira foi em 1989 — e ele busca um quarto mandato no total”, acrescentou o FT.
Autor: Gazeta do Povo








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