Faltando algumas horas para a estreia da Inglaterra na Copa do Mundo, passei pelo pub perto da minha casa. Um atendente, vestido com a camisa da seleção inglesa, me disse como estava empolgado. Ele tem no máximo uns 25 anos, o que significa que o único título mundial do país, em 1966, foi pelo menos 40 anos antes de ele nascer. Mesmo assim, segue acreditando.
Só nos últimos dias comecei a ver aqui em Londres um apoio público maior à seleção, com decorações nas janelas das casas e fachada de pubs. Com o sentimento anti-imigração no país em alta, a extrema direita tem usado a bandeira da Inglaterra como símbolo político e muita gente não quer ser associada a algo no qual não acredita.
Em um distrito de Oxford, autoridades inclusive pedem na Justiça que bandeiras da Inglaterra e do Reino Unido hasteadas em postes por um grupo de ultradireita sejam removidas, porque estão despertando xenofobia e racismo. A decisão sai em 23 de junho, mesmo dia em que os ingleses enfrentam Gana.
Na estreia no Mundial, a seleção fez sua parte, vencendo por 4 a 2, com dois gols de Harry Kane, o décimo dele em Copas. Jane, a simpática chimpanzé de um zoológico na cidade de Kent, já sabia, pois “previu” a vitória sobre a Croácia, ao estilo do finado polvo Paul.
Outras estrelas também já mostraram a que vieram —e ninguém usou a ansiedade da estreia como desculpa. Mbappé marcou duas vezes no 3 a 1 sobre Senegal, tornando-se o maior artilheiro da história da França, com 58 gols. Com um hat-trick na goleada sobre a Argélia, Lionel Messi se igualou a Miroslav Klose como artilheiro da história dos Mundiais, com 16 gols. Erling Haaland marcou dois no triunfo da Noruega por 4 a 1 sobre o Iraque, em sua estreia em um grande torneio internacional.
Depois de uma semana de competição, algumas polêmicas vão aparecendo e outras se desfazendo. O aumento de 32 para 48 seleções sempre foi criticado pelo risco de diminuir a qualidade do torneio. Mas equipes “menores” como Curaçao, uma ilha com menos de 160 mil habitantes, e República Democrática do Congo, que de volta ao Mundial depois de 52 anos arrancou um empate com Portugal, têm conquistado a simpatia do público. Assim como Cabo Verde e seu goleiro Vozinha, de 40 anos, que parou a poderosa Espanha no empate em 0 a 0.
A câmera que mostra a visão do árbitro tem sido uma novidade interessante. O Uruguai chamou menos atenção pelo desempenho em campo do que pela foto oficial do técnico Marcelo Bielsa, que se recusou a olhar para a câmera e saiu com o rosto virado para baixo. Já a Tunísia vai ter que substituir a fotografia do seu treinador, já que Sabri Lamouchi foi demitido depois da derrota por 5 a 1 para a Suécia.
O estado dos gramados e a pausa para hidratação têm dividido opiniões. O tratamento dado à seleção do Irã, que teve que montar sua base no México e voar para os Estados Unidos para as três partidas da primeira fase, é inadmissível.
Já o Brasil… ainda precisa se encontrar. Espero que ache seu caminho, e sigo insistindo que não vai ser através de um jogador lesionado, que não disputa uma partida há mais de um mês e não tem, nem vai ter, a intensidade que uma competição de altíssimo nível demanda.
É preciso apostar nos jovens.
LINK PRESENTE: Gostou deste texto? Assinante pode liberar sete acessos gratuitos de qualquer link por dia. Basta clicar no F azul abaixo.
Autor: Folha




















