Vinicius Junior é o primeiro craque da seleção neste século que não disputa a primazia de ser o último a entrar no treino. Esta continua sendo de Neymar. Sempre no fim da fila.
Em 2006 havia uma disputa silenciosa entre Ronaldo e Ronaldinho para saber quem era a estrela que entrava no gramado por último.
A disputa é mais difícil na França, entre Mbappé e Dembélé. Ainda há Olise.
Os grandes da Copa são mais do que conhecidos e a fama dos craques pop stars se cria durante seguidas temporadas de Champions League. Apenas se confirma no Mundial. No passado, era diferente.
O mundo não conhecia Pelé antes de explodir e ser coroado Rei na Suécia, em 1958. Também não se conhecia Johan Cruyff na América do Sul, apesar de ter conquistado três vezes a Copa dos Campeões da Europa, entre 1971 e 1974.
O Barcelona descobriu-o e contratou-o por acompanhar os jogos em Amsterdã. Casagrande conta sua primeira palestra com imagens dos jogadores que iria enfrentar. Aconteceu em Portugal. Artur Jorge, técnico do Porto, enviava assistentes aos jogos em outros países, com câmeras fotográficas.
Não eram vídeos. Apenas fotografias.
Carlos Alberto Parreira chegou a usar câmeras Super 8 quando fez parte da comissão técnica de Zagallo, antes da Copa de 1974. Não foi suficiente para evitar a surpresa da Holanda, a quem o técnico do Brasil chamou de “tico tico no fubá.”
Apesar de a informação circular e de todos os técnicos, jornalistas e torcedores apaixonados poderem ver as estrelas da Copa todos os dias, ainda é possível fazer descobertas.
Que podem ser táticas, como o posicionamento de Messi, sempre livre do combate contra as defesas mais fechadas. Quando a Argentina defende, fica no ataque. Quando ataca, volta para a intermediária como se fosse um meia-armador, não mais um falso 9. É por isso que descobre espaços invisíveis, como no primeiro gol contra a Áustria.
É possível se surpreender com talentos menos vistos. Caso de Yan Diomandé, da Costa do Marfim. Uma enormidade de clubes da Europa está atrás dele, pelos 36 jogos e 13 gols pelo Leipzig, no Campeonato Alemão. Como o clube não jogou a Champions, seu talento é exibido em rede mundial na Copa, como nos velhos tempos.
É o caso de Rayan. Aos 19 anos, é o titular mais jovem da seleção desde Marco Antônio, em 1970, e o sexto mais novo do Brasil em Copas, atrás de Pelé, Carvalho Leite, Marco Antônio, Tostão e Mazzola. Seu talento já havia sido descoberto no Vasco, a ponto de ser contratado pelo Bournemouth por 35 milhões de euros.
Mas há diferença entre atuar por um clube do litoral inglês, numa cidade de 190 mil habitantes, e acontecer na Copa do Mundo. “Vai brilhar muito. Se não for neste Mundial, acontecerá no próximo”, disse Tostão, o quarto mais jovem a atuar pela seleção, aos 19 anos, em 1966.
A Copa do Mundo não é mais o torneio para descobrir talentos. Os maiores craques já chegam consagrados. Mas ainda dá para garimpar algumas coisas.
Pode apostar que o técnico de Rayan no Bournemouth, Imanol Iraola, vai tentar levá-lo para o Liverpool, seu novo clube. Dependendo de seu desempenho nos próximos jogos, vai ser mais fácil os grandes times da Europa olharem para o novo titular de Ancelotti do que para Raphinha, do Barcelona.
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Autor: Folha








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