Que eles fazem a diferença em campo, sabemos. Mas como jogam os craques da Copa do Mundo?
Mergulhando em estatísticas, o FolhaStats destrinchou o desempenho de alguns dos principais nomes do torneio: posicionamento, papel na equipe e principais qualidades.
A análise engloba estatísticas de seis jogadores na primeira fase do Mundial: Lionel Messi (Argentina), Kylian Mbappé (França), Vinicius Júnior (Brasil), Cristiano Ronaldo (Portugal), Harry Kane (Inglaterra) e Erling Haaland (Noruega).
Os dados são da Opta, plataforma de estatística esportiva, e foram analisados no domingo (28) pela equipe do FolhaStats.
Lionel Messi (Argentina)
O craque argentino é o artilheiro da Copa até aqui, com seis gols em três partidas.
A artilharia não veio à toa: Messi é o jogador que mais finalizou a gol, em média, entre os seis comparados, com 3,4 chutes a cada 45 minutos jogados, ante 2,7 de Mbappé, o vice nessa métrica. Também é o único que fez gol de bola parada, em cobrança de falta.
Além da eficiência no ataque, Messi é o fio condutor da Argentina no meio de campo: é o que mais tocou na bola entre os analisados, com 97 passes, e lidera até em desarmes, com quatro. Apesar do domínio da posse de bola, não tem assistência até aqui.
A análise da parte física torna os feitos dele ainda mais impressionantes, já que o camisa 10 é o jogador que menos correu entre os seis, percorrendo, em média, 3,8 km a cada 45 minutos jogados. A marca fica bem abaixo da média, de 4,6 km por etapa.
Vale ponderar, porém, que até agora o argentino só enfrentou adversários frágeis. Argélia, Áustria e Jordânia não impuseram desafio à atual campeão do mundo na fase de grupos, acumulando falhas dos goleiros e de marcação nas três partidas.
O mapa de calor do craque mostra sua posição preferida: no meio, especialmente em frente à grande área, onde os companheiros fazem questão de abastecê-lo com a bola.
Kylian Mbappé (França)
O camisa 10 francês é o líder de assistências entre os seis craques, com duas, e tem quatro gols.
Os passes para gol dados por Mbappé marcam um contraste interessante entre ele e Messi: enquanto a Argentina gira em torno de seu camisa 10, a França possui um time mais equilibrado.
Mbappé tem uma responsabilidade grande de armação, sendo o segundo com mais passes entre os analisados (87 toques), e tem opções como Dembélé para tocar a bola e dividir a artilharia da equipe. Já Messi concentra seis dos oito gols da Argentina na competição, sem assistências.
O francês foi também o jogador mais eficiente em lançamentos com bolas longas, acertando seis.
Seu mapa de calor mostra uma atuação flexível. Ele joga mais pela esquerda do ataque, porém flutua por todo a área adversária. Assim, puxa a marcação e abre espaços para seus companheiros, além de explorar arrancadas nas costas dos zagueiros.
Versátil no ataque, Mbappé tem menos presença no campo de defesa do que nomes como Messi e Harry Kane.
Vinicius Junior (Brasil)
O atacante da seleção brasileira tem quatro gols e uma assistência na Copa até aqui, sendo o jogador do time de Carlo Ancelotti que mais participou de gols no torneio.
Vinicius Junior também é o jogador que mais arriscou dribles entre os analisados, com 22 tentativas, das quais acertou 7. Apesar dos erros, é o jogador que mais concluiu as fintas entre os seis: Mbappé soma quatro dribles, e Messi, três.
Mais do que as fintas, os fatores que definiram o bom desempenho de Vinicius até aqui foram a precisão e a velocidade. Ele é o segundo que mais correu, com 28 km percorridos nas três partidas (média de 4,9 km a cada 45 minutos).
Ele simboliza perfeitamente o ataque brasileiro: ágil, usa a velocidade para marcar a saída dos adversários e fazer gols em contra-ataque após roubar a bola. Assim foram construídos os primeiros tentos contra Haiti e Escócia.
Na hora de finalizar, Vini foi preciso: dos 12 chutes que tentou, 4 resultaram em gol (33% de conversão, acima da média de 29% dos seis craques analisados), mostrando que o estigma de mau finalizador que carregava no início da carreira está superado.
Ele começou a competição jogando quase só pela esquerda, mas seu mapa de calor pendeu um pouco para a direita, especialmente na partida contra a Escócia, quando atuou mais livre pelo ataque.
Cristiano Ronaldo (Portugal)
O craque português ainda não se destacou tanto quanto os adversários analisados aqui: fez dois gols, assim como outros 22 jogadores nesta Copa, e não deu assistência.
Dos jogadores analisados, é o que mais minutos jogou: 271, ante 266 de Mbappé, o segundo colocado.
Mesmo com mais tempo, produziu menos. Seu desempenho em finalização, a melhor ferramenta que Cristiano Ronaldo tem neste momento da carreira, é baixo: chutou 13 bolas, das quais 6 foram no gol (46% de precisão, abaixo da média de 58% dos seis analisados).
A taxa de conversão em gol é também a mais baixa, com 14% (13 chutes para marcar dois gols).
Na partida contra a República Democrática do Congo, Ronaldo perdeu chances importantes, o que reaqueceu o debate sobre sua titularidade na equipe portuguesa.
Diferentemente do que acontecia em outros momentos da carreira, ele agora se posiciona como um centroavante fixo na área, pontualmente pegando na bola fora dela. Assim, participa pouco da construção de jogo.
Dos titulares de Portugal, é o que menos tocou a bola, com apenas 67 passes. Até o goleiro Diogo Costa tocou mais do que ele, com 75 passes.
Fato é que, após a partida apagada contra a Colômbia, que fechou a fase de grupos, perdura a sensação de que Portugal ainda não soube encaixar o craque em sua estratégia, algo que os argentinos, com Messi, fizeram de forma eficiente até aqui.
Erling Haaland (Noruega)
Mesmo sendo o jogador com menos minutos nesta comparação, já que foi poupado na partida contra a França, o atacante norueguês divide a vice-artilharia da Copa com Vinicius Junior, Dembelé e Mbappé, com 4 gols.
Assim como Cristiano Ronaldo, Haaland joga mais fixo na área adversária, esperando por oportunidades de fazer o gol.
Se o português toca pouco na bola, o norueguês participa menos ainda da construção de jogadas, dando apenas cinco passes a cada 45 minutos jogados, bem abaixo da média de 12 passes por etapa dos craques analisados.
Messi jogou só 20 minutos a mais que Haaland na fase de grupos, mas a comparação do total de passes dos dois é gritante: o argentino tocou 97 vezes, ante 20 do norueguês, dos quais ele acertou só 10.
Se a função de Haaland fica restrita ao ataque, ele não deixa a desejar nesse quesito. Tem a melhor precisão de chutes entre os analisados, com 70% dos arremates no alvo.
Ao lado de Messi, também é dono da melhor taxa de conversão em gols: 40%, ou dois gols a cada cinco chutes.
Harry Kane (Inglaterra)
O inglês, centroavante como Haaland e Cristiano Ronaldo, tem um posicionamento diferente dos dois.
Harry Kane circula por quase todo o campo, apesar de ficar mais concentrado na grande área e em alguns pontos do meio de campo.
Isso faz com que ele seja o jogador que mais correu entre os seis analisados, com 31,9 km percorridos em três jogos e média de 5,4 km a cada 45 minutos.
No seu clube, o Bayern de Munique, Kane chama a atenção por esse posicionamento fluido: por vezes, recua e joga como volante, lançando bolas para os pontas e ajudando na saída da defesa.
Na seleção, ele vem tentando esse mesmo tipo de jogo, mas sem ter facilidade.
Depois de Haaland, é o jogador que menos passou a bola entre os seis comparados, com 50 toques, e não tem nenhuma assistência. Assim, ainda não conseguiu desempenhar o papel de atacante construtor que costuma fazer na Alemanha.
Kane também tem finalizado mal: dos 13 chutes que deu, 6 foram no alvo (46% de pontaria, a pior, ao lado de CR7). Assim, sua taxa de conversão em gols é de 23%, a segunda mais baixa da comparação.
Um desses chutes fora do alvo saiu no empate sem gols contra Gana, no qual o inglês perdeu uma chance claríssima de abrir o placar, isolando por cima da meta.
Autor: Folha








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