Ricardo Castellar de Faria, conhecido como Rei do Ovo, construiu um império no agronegócio a partir de uma trajetória que começou ainda na infância. Aos 8 anos, quando morava em Criciúma, no Sul de Santa Catarina, ele aproveitava as férias de verão para vender picolés na praia do Balneário Rincão.
Quase quatro décadas depois, aos 51 anos, aparece na 10ª posição entre os brasileiros mais ricos na lista da Forbes de 2026, com patrimônio estimado em R$ 35,1 bilhões.
O salto na fortuna foi expressivo. Em 2025, Faria ocupava a 21ª colocação, com R$ 19,6 bilhões. Em um ano, o patrimônio calculado pela Forbes cresceu 79,08%, colocando o empresário do agro mais rico do Brasil entre os dez primeiros do ranking.
Quem é o Rei do Ovo e como começou a empreender?
Nascido em Niterói (RJ), Ricardo Faria se mudou ainda criança para Santa Catarina. A veia empreendedora apareceu cedo. Segundo relatos recuperados pelo G1 em entrevista concedida por Faria à NSC em 2023, ele também aproveitava os pés de fruta do quintal de casa para vender laranjas no centro da cidade.
A experiência com os picolés, porém, teria sido especialmente marcante. O empresário contou que conseguia ganhar aproximadamente um salário mínimo por fim de semana durante o verão. “Aí pensei: não preciso trabalhar para ninguém. Vou trabalhar para mim”, afirmou na ocasião.
Na adolescência, aos 15 anos, Faria fez um intercâmbio na Califórnia, nos Estados Unidos. Até então, pretendia seguir os passos do pai e estudar medicina. O contato com a produção agrícola norte-americana mudou seus planos. Ao retornar ao Brasil, decidiu cursar Engenharia Agronômica na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).
A primeira grande empreitada, no entanto, não foi uma granja. Ainda durante a trajetória profissional, Faria entrou no setor de lavanderias industriais. Em 1997, fundou a Lavebras, empresa especializada na higienização e locação de roupas para hotéis, indústrias e outros clientes.
O negócio cresceu até chegar a cerca de 70 unidades e foi vendido em 2017 ao grupo francês Elis. A operação foi de 340 milhões de euros, valor equivalente a aproximadamente R$ 1,3 bilhão na época.
Da lavanderia à Granja Faria
A entrada definitiva no agronegócio veio justamente da experiência acumulada com os clientes da Lavebras. Entre eles estavam empresas ligadas à produção de alimentos, o que aproximou Faria do setor avícola.
Em 2006, o empresário fundou a Granja Faria. No ano seguinte, abriu uma unidade de produção de ovos férteis em Nova Mutum (MT), inicialmente para atender à Perdigão. A operação cresceu e, em 2013, Faria comprou a Avícola Catarinense, em Lauro Müller (SC), município que passou a abrigar a sede jurídica da empresa.
A Granja Faria se transformou na maior produtora de ovos comerciais, ovos férteis e pintos de um dia do Brasil. Atualmente, são 34 unidades produtoras e cerca de 2,7 mil funcionários, com produção estimada em 16 milhões de ovos por dia.
O negócio também deixou de ter atuação exclusivamente nacional. Parte da produção é destinada ao mercado externo, enquanto a empresa trabalha com diferentes tipos de produtos, incluindo ovos para consumo, ovos férteis e derivados.
Depois de vender a Lavebras, Faria passou um período afastado dos negócios e buscou novas ideias em cursos nos Estados Unidos, inclusive em Harvard. A partir dessa experiência, decidiu concentrar esforços em um setor que considerava capaz de crescer por meio de escala e diversificação: a produção de ovos.
Ricardo Faria leva os negócios para o exterior
A estratégia ganhou uma nova dimensão em 2018, com a criação da Global Eggs, holding sediada em Luxemburgo que passou a reunir os negócios de Faria no setor de ovos.
A internacionalização se intensificou nos últimos anos. Em 2024, o grupo comprou a espanhola Grupo Hevo. No ano seguinte, adquiriu a norte-americana Hillandale Farms por US$ 1,1 bilhão, uma das maiores operações da trajetória empresarial de Faria.
A expansão colocou a Global Eggs em diferentes mercados e aumentou significativamente a escala do negócio. A companhia chegou a mais de 45 milhões de aves nos Estados Unidos, na América do Sul e na Europa, com previsão de produzir mais de 15 bilhões de ovos em 2026.
Em março deste ano, a gestora americana Warburg Pincus comprou uma participação minoritária na Global Eggs em uma operação de US$ 1 bilhão. A transação avaliou a empresa em US$ 8 bilhões e ajudou a explicar o forte aumento do patrimônio atribuído a Faria pela Forbes.
Além da Granja Faria e da Global Eggs, o empresário está à frente de outros negócios. Ele fundou a Insolo, voltada ao agronegócio, e a RCF Capital, holding de investimentos. Faria também ocupou a presidência da Associação Catarinense de Avicultura (Acav) de 2023 a 2025.
O apelido de “Rei do Ovo” nasceu da dimensão alcançada pela Granja Faria, mas a fortuna atual está ligada a um conjunto mais amplo de negócios no agronegócio e em investimentos. Aos 51 anos, Faria aparece como o exemplo de uma trajetória empresarial construída em diferentes etapas, com forte aposta em escala, aquisições e internacionalização.
Autor: Gazeta do Povo








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