
Um grupo de 30 deputados federais democratas e o senador independente Bernie Sanders (que já fez parte da legenda) enviaram nesta semana uma carta ao secretário de Estado americano, Marco Rubio, na qual questionaram o governo Donald Trump sobre o que alegam ser tentativas de interferência dos Estados Unidos na eleição presidencial no Brasil, marcada para outubro.
A carta foi uma iniciativa da deputada Delia Ramirez e tem como signatários, além de Sanders – aliado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com quem se encontrou na segunda-feira (21) em Nova York –, mais 29 parlamentares democratas, entre eles Pramila Jayapal, Chuy Garcia, Jonathan Jackson, Greg Casar, Maxwell Frost e Alexandria Ocasio-Cortez.
“As ações mais recentes da administração [Trump] apontam para uma aparente tentativa de interferir e potencialmente minar as eleições gerais do Brasil em outubro”, diz um trecho da carta, obtida pelo jornal Folha de S.Paulo.
Os parlamentares oposicionistas alegaram que ações de Trump relativas ao Brasil fariam parte de um “padrão mais amplo e profundamente preocupante de interferência” em eleições na América Latina e que há risco de “erodir progressivamente a confiança” nas instituições democráticas da região.
No documento, os democratas questionaram se o governo Trump vai reconhecer o resultado da eleição brasileira e citaram as sanções contra autoridades do país, tarifas sobre produtos do Brasil e a relação de Trump com aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro como motivos de preocupação.
Os parlamentares também mencionaram o encontro de Trump com o candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL) em maio na Casa Branca, após o qual os Estados Unidos designaram os grupos criminosos brasileiros Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.
Também citaram o caso recente de dois funcionários do Departamento de Estado que viriam ao Brasil e que tiveram vistos negados pelo governo Lula, sob o argumento de que pretendiam questionar a integridade do sistema eleitoral brasileiro – acusação negada por Washington.
Por fim, os parlamentares questionaram os critérios para a aplicação de sanções econômicas contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes via Lei Magnitsky em 2025 (medida retirada em dezembro), para revogar o visto da embaixadora brasileira nos EUA, Maria Luiza Viotti, e para designar PCC e CV como organizações terroristas.
A carta estabeleceu prazo até 30 de setembro para resposta do Departamento de Estado. Rubio ainda não se pronunciou sobre o assunto.
Em entrevista na quarta-feira (23) à CNN Brasil, a porta-voz do Departamento de Estado, Amanda Roberson, negou que os Estados Unidos estejam tentando interferir na eleição brasileira.
“Estamos vendo as notícias, claro que estamos acompanhando as eleições, claro que queremos saber o resultado, mas acreditamos que, como o Brasil é um país soberano e independente, queremos ver eleições livres e transparentes e vamos ver com os brasileiros o resultado”, afirmou.
Autor: Gazeta do Povo








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