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Depressão: como participar de estudo psicodélico – 04/06/2026 – Virada Psicodélica

Com frequência os leitores perguntam como poderiam participar de alguma pesquisa com psicodélicos, e a resposta costuma ser frustrante: dificilmente. Em geral são estudos com poucos pacientes, em uma só cidade, e assim permanecerá por algum tempo no Brasil –com a rara exceção de um teste clínico de fase 2 para o qual a Universidade Federal do Rio Grande do Norte abriu recrutamento.

A novidade está no caráter multicêntrico do ensaio capitaneado pelo psiquiatra Marcelo Falchi, pesquisador do Instituto do Cérebro (ICe-UFRN) e professor de saúde mental do Departamento de Medicina Clínica da universidade. Por ora o grupo busca só 40 a 60 pessoas com depressão na região de Natal (RN), mas em breve serão abertas inscrições em São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador e Fortaleza.

A candidata ou o candidato precisa responder a um questionário pela rede para especialistas determinarem se satisfaz os requisitos para inclusão. O quadro depressivo em vista deve ficar entre moderado e grave, com resposta insuficiente ao tratamento habitual (como antidepressivos da classe dos inibidores seletivos de recaptação de serotonina, ISRS, tipo escitalopram e fluoxetina).

Histórico pessoal de psicose, transtorno bipolar, uso problemático de substâncias recente, condições cardiovasculares instáveis, epilepsia, doença neurológica grave ou pulmonar e gestação/lactação fazem parte dos critérios de exclusão na pesquisa, para garantir a segurança dos voluntários.

“Nosso objetivo é construir um modelo de medicina psicodélica que seja eficaz, seguro e acessível, com potencial de futura incorporação ao SUS“, diz Falchi. O médico participou de testes menores contra depressão realizados nos últimos anos no quadro da parceria entre o ICe e o Hospital Universitário Onofre Lopes (Huol-UFRN) com a substância N,N-dimetiltriptamina (DMT), composto psicodélico presente na ayahuasca e na jurema-preta (Mimosa tenuiflora), uma planta da caatinga.

O grupo liderado por Dráulio de Araújo, Fernanda Palhano-Fontes e Nicole Galvão-Coelho fez ensaios pioneiros com ayahuasca para depressão, dentro do sistema duplo-cego com grupo de controle por placebo. Como sob efeito da bebida amazônica o voluntário fica várias horas em estado alterado de consciência e precisa ser monitorado, buscou-se uma alternativa mais prática e barata para eventual uso clínico.

Os estudos evoluíram então para empregar DMT pura por meio de inalação, que abrevia o efeito agudo (“viagem” psicodélica) para 10-15 minutos. Experimentos nos últimos quatro anos comprovaram o efeito antidepressivo sustentado desse método de aplicação da substância, por exemplo em artigo publicado há pouco mais de um ano no periódico Neuropsychopharmacology.

O paciente recebe duas doses no mesmo dia, a primeira de 15 miligramas (mg), seguida de uma mais forte, de 60 mg. A sala do experimento no Huol foi especialmente decorada e preparada, com poltrona reclinável. A pessoa recebe fones de ouvido para escutar a playlist composta pelo multiartista Raphael Egel.


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Autor: Folha

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