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Ditaduras terceirizam assassinatos para grupos criminosos

Regimes autoritários que assassinam diretamente adversários políticos no exterior não são novidade: basta lembrar da execução do ex-líder comunista soviético Leon Trótski por um agente espanhol da NKVD (antecessora da KGB), crime ocorrido em 1940 na Cidade do México sob encomenda do então ditador Josef Stálin.

Um fenômeno mais recente, porém, são governos repressores encomendarem assassinatos de desafetos em outros países a organizações criminosas.

Um relatório divulgado este mês pelo think tank americano Soufan Center afirmou que Irã, Rússia e Índia estiveram envolvidos em pelo menos 12 assassinatos ou tentativas com o uso de organizações criminosas nos últimos dez anos.

“O modelo ‘antigo’ — no qual Estados financiavam e orientavam grupos terroristas para promover objetivos geopolíticos — está dando lugar a uma ‘nova’ arquitetura: Estados que recorrem cada vez mais a redes do crime organizado para realizar assassinatos, sabotagem e operações encobertas de influência”, escreveu a autora do estudo, Jessica Davis, presidente da consultoria Insight Threat Intelligence, pesquisadora de pós-doutorado na Faculdade de Direito da Universidade de Calgary e pesquisadora sênior visitante no Soufan Center.