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Economista errou ao prever Brasil eliminado pelo Japão

Além da seleção japonesa, o time do Brasil superou nesta segunda-feira (29), na partida pela Copa do Mundo de 2026, um modelo econométrico que mantém 100% de acerto nas previsões dos campeões mundiais de futebol desde a edição de 2014.

Elaborado pelo economista alemão Joachim Klement, estrategista do banco de investimentos britânico Panmure Libertum, o sistema de prognóstico apontava a eliminação da seleção brasileira diante dos japoneses.

Em relatório publicado ainda em abril, o alemão cravou que o Brasil passaria da primeira fase na liderança do grupo C, seguido, respectivamente por Marrocos, Escócia e Haiti.

Também previu que a seleção comandada por Carlo Ancelotti enfrentaria o Japão, que se classificaria para a segunda fase do Mundial atrás dos Países Baixos e à frente de Suécia e Tunísia.

“O Japão vencerá o Brasil no que provavelmente será uma das maiores zebras da história da Copa do Mundo”, escreveu o economista na época.

“Já consigo ouvir o espanto de muitos leitores. O Brasil continua sendo o eterno favorito dos torcedores e sempre entra cotado para vencer a Copa do Mundo. Além disso, há aquela estatística curiosa de que, com exceção da Copa de 2014 no Brasil, todos os torneios realizados nas Américas foram vencidos por uma seleção sul-americana.”

Ele lembrou, por outro lado, que a seleção nipônica venceu a Alemanha na Copa do Mundo do Catar, derrotou o Brasil por 3 a 2 em um amistoso em outubro passado e venceu tanto Escócia quanto Inglaterra por 1 a 0 neste ano.

Embora o Japão tenha saído na frente no confronto com o Brasil, desta vez Klement estava errado. É possível, no entanto, que ele ainda acerte quem vai conquistar a Copa. Se estiver correto, o mundo terá neste ano um campeão inédito: os Países Baixos.

Economista acertou todos os campeões da Copa do Mundo desde 2014

Embora ele mesmo considere o resultado inusitado, é válido ressaltar que o economista previu corretamente que a Alemanha levaria a taça em 2014, no Brasil; a França, em 2018, na Rússia; e a Argentina, em 2022, no Catar.

A precisão de Klement não se baseia em palpites subjetivos, mas em um modelo próprio que reúne futebol, economia e meteorologia. Para o economista, o sucesso no futebol depende de fatores que vão muito além das quatro linhas.

O primeiro pilar do modelo é o PIB per capita. Klement argumenta que o sucesso exige infraestrutura: estádios modernos e centros de treinamento de ponta para lapidar o talento bruto. Contudo, ele identifica um ponto de saturação. Países excessivamente ricos podem sofrer uma queda na produtividade esportiva, pois o leque de opções de lazer para os jovens — como os videogames — compete diretamente com o tempo dedicado ao treino nos gramados.

O segundo fator é o tamanho da população, mas com uma ressalva: a massa crítica só importa se o futebol for uma “religião” nacional. É por isso que, apesar de suas enormes populações, China e Índia permanecem irrelevantes no cenário mundial. Já nações sul-americanas e europeias, onde cada criança cresce com uma bola nos pés, maximizam seu capital humano.

O terceiro elemento, o mais curioso, é a temperatura média. O modelo de Klement sugere que a temperatura ideal para a prática do futebol de alto nível é de 14°C, característica comum na Europa e em partes da América do Sul.

Por fim, Klement utiliza o ranking da Fifa como um termômetro da força atual das seleções, ao qual adiciona ainda a sorte. Ele admite que 45% do resultado de um jogo de futebol é determinado pelo acaso. Em um torneio curto e eliminatório, um gol contra ou uma decisão arbitral podem destruir o modelo mais sofisticado.

Depois de acertar sua primeira previsão, em 2014, quando apontou que seu país, a Alemanha, venceria a Copa do Mundo realizada no Brasil, o economista quis refazer o exercício em 2018 acreditando que demonstraria que o acerto foi uma casualidade.

Sua previsão, no entanto, foi certeira novamente com a França em 2018 — e, depois, com a Argentina, em 2022. “Como eu acertei três vezes seguidas, as pessoas, agora, acham que este modelo é invencível e que, é claro, eu certamente irei acertar mais uma vez”, contou à BBC, alerta seus leitores a considerarem seus resultados com cautela.

O modelo do economista previa, por exemplo, que os Países Baixos enfrentariam Portugal na final na Copa do Mundo de 2026, mas em razão da posição que ambos se classificaram na fase de grupos, o confronto entre as seleções só pode ocorrer nas semifinais.

Bancos apostam em Espanha e França e em desgaste da Argentina

Enquanto o Panmure Libertum aposta nos Países Baixos, outras instituições financeiras de peso utilizam metodologias que apontam cenários diferentes.

Segundo o Bank of America, a grande favorita ao título da Copa do Mundo de 2026 é a França, projetada para vencer a Espanha na final. O levantamento foi feito cruzando dados, inteligência artificial e opiniões de 65 analistas. Além do título, o estudo apontou que o país terá Kylian Mbappé como artilheiro.

As projeções do banco francês Natixis também colocam a seleção francesa no topo, com 26,2% de chance de título, seguida de perto pela Espanha, com 24,6%.

O Goldman Sachs, um dos maiores bancos de investimento norte-americanos, utiliza um sistema baseado principalmente na classificação Elo — originalmente criada para o xadrez — para simular as probabilidades.

A Espanha é, nesse caso, a grande favorita, com 26% de chance de conquistar o título, impulsionada por um momento técnico superior. A França aparece em segundo lugar, com 19%.

Os cálculos do conglomerado italiano UniCredit priorizam a cultura do futebol e a capacidade de gerar jovens talentos. Para os analistas, a Argentina quebrará essa escrita e conquistará o bicampeonato consecutivo, vencendo a França em uma reedição da final de 2022.

Brasil segue entre favoritos, mas sem consenso entre os bancos

As previsões das instituições financeiras para o Brasil trazem um misto de respeito histórico e pessimismo tático. Nenhum dos grandes bancos coloca a Seleção Brasileira como favorita absoluta, embora todos a mantenham no pelotão de elite. O Brasil aparece na quarta posição do ranking de favoritismo do Bank of America.

O Goldman Sachs atribui ao Brasil uma chance de 8% de título. O modelo projeta uma trajetória consistente até a semifinal, quando a seleção encontraria seu maior algoz continental: a Argentina. Segundo o banco, o Brasil sofreria com a falta de um “talento artilheiro” comparável ao das principais potências europeias e com a dependência de jogadores que já não estão no auge físico.

A análise do Natixis é mais otimista em termos de probabilidade bruta (9,3%), mas também vê a semifinal como o teto brasileiro. O “efeito Ancelotti” — ou a experiência gerencial de alto nível — é um fator que o modelo tem dificuldade de quantificar integralmente, o que poderia representar um diferencial competitivo para a Seleção.

O UniCredit é o mais generoso com a equipe brasileira. O modelo prevê que o Brasil chegará às semifinais e, após ser derrotado pela Argentina, conquistará o terceiro lugar ao vencer a Espanha na disputa pelo bronze.

Autor: Gazeta do Povo

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