
A distribuição de santinhos do candidato com o número do adversário, a associação possivelmente tóxica com a campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a traição de aliados e até a pressão de milícias sobre o voto de eleitores. Nesta segunda-feira (5), após o primeiro turno das eleições de 2026, não faltavam explicações que circulavam, com lastro na realidade ou não, entre aliados do ex-prefeito do Rio de Janeiro e candidato ao governo do estado, Eduardo Paes (PSD), para o resultado de domingo.
De acordo com dois correligionários do candidato ouvidos pela reportagem da Gazeta do Povo, a derrota no primeiro turno da eleição — que ainda pode virar definitiva — caiu como uma bomba na campanha do político carioca. Com 100% das urnas apuradas, o deputado estadual e presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Douglas Ruas (PL), obteve 4,27 milhões de votos, ou 49,27% dos votos válidos, ante os 3,7 milhões, ou 42,76%, do ex-prefeito do Rio de Janeiro.
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) informou oficialmente por volta das 21h do domingo (4) que Paes e Douglas Ruas vão disputar o segundo turno da eleição no dia 25 de outubro. O resultado, no entanto, depende do julgamento do recurso de Garotinho pelo TSE: Ruas vencerá no primeiro turno se o colegiado decidir invalidar os votos do terceiro colocado, Garotinho (Republicanos).
Garotinho obteve 3,17% dos votos válidos. Na tarde desta segunda-feira (5), ele anunciou a desistência do recurso ao TSE, mas até o fim do dia o presidente da corte, ministro Kássio Nunes Marques, não havia informado se o julgamento seria realizado mesmo assim.
William Siri (PSOL) obteve 2,71% dos votos. Outros cinco candidatos a governador que disputavam o pleito não chegaram a 1% dos votos válidos cada um, segundo a contagem final oficial do TSE. O julgamento do recurso de Garotinho, impedido pelo Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ), ainda não tem data marcada no TSE.
Campanha de Paes buscará se afastar de Lula
Ao longo das últimas semanas, as sondagens de intenção de voto feitas por institutos de pesquisa já indicavam que a corrida eleitoral pelo governo do estado havia ficado acirrada. O sonho de ser eleito no primeiro turno parecia mais distante para o candidato do PSD no Rio de Janeiro. A direita, por sua vez, se reorganizou principalmente em torno do nome de Douglas Ruas (PL), que mostrou uma candidatura forte.
Mas chegar ao final da primeira etapa atrás e, pior, ser quase eliminado sem nem sequer disputar o segundo turno, definitivamente não estava nos planos do candidato do PSD no estado e, também, da direção nacional do partido.
Na primeira fala após a derrota parcial, Paes já deu indícios de qual será a toada de sua campanha no segundo turno. Segundo ele, a disputa não deve ser pautada pelo cenário nacional. Nos bastidores entre aliados, frisa-se a importância de tentar se distanciar do presidente Lula e mostrar a independência do ex-prefeito do Rio e sua capacidade de diálogo com todos os campos políticos.
“Esperávamos que fosse melhor”, admitiu Paes após a contagem dos votos. A declaração foi dada em uma coletiva de imprensa em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, no domingo à noite. “O segundo turno vai servir para a gente mostrar de forma mais clara e evidente, sem a nebulosidade do primeiro, de que luta estamos tratando. Uma máfia tomou conta do Rio”, disse aos apoiadores e à imprensa.
“Eu vou reiterar aqui algo que eu tenho dito desde o primeiro turno, mas o segundo turno permite um embate mais firme, mais duro entre as duas partes: o que nós estamos discutindo aqui é o estado e os interesses do Rio de Janeiro. Não será o Flávio Bolsonaro e não será o Lula que vai governar o Rio de Janeiro”, afirmou.
Paes aproveitou a fala para partir para cima do adversário. “Nós estamos falando de um jovem político que ficou milionário fazendo política, se utilizando da máquina pública, que representa a continuidade dos piores governos que o Rio de Janeiro já teve, que entregaram o nosso estado à criminalidade, e que, se utilizando da bengala da eleição nacional, conseguiram passar pela população”.
Ruas cobra decisão do TSE
Ruas, por sua vez, cobrou uma decisão definitiva e rápida por parte do TSE sobre os votos de Garotinho. “A gente vai aguardar com muita tranquilidade. Confiamos na Justiça, na sua decisão breve para que se possa chegar a uma conclusão o mais rápido possível”, declarou.
Ele agradeceu a votação e a confiança dos cariocas. Em entrevista coletiva em São Gonçalo, na Região Metropolitana, ele disse que vai “governar para todos”, independentemente da escolha feita nas urnas, e disse que sua campanha representa um caminho novo para o estado.
Ele também disse acreditar que a votação no estado será decisiva para a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência. “Elegemos os dois senadores, 15 deputados federais, 20 deputados estaduais e aumentamos o percentual de vantagem na eleição presidencial, e tenho certeza que esse percentual de votos no Rio será decisivo para a eleição de Flávio Bolsonaro”, afirmou.
Santinhos distribuídos com o número errado
A campanha do PSD acionou a Justiça Eleitoral após santinhos do candidato ao governo do Rio terem sido distribuídos com o número errado, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, neste domingo. Nas imagens que circulam nas redes sociais, os panfletos exibem o número 22, que representa o candidato Douglas Ruas, mas trazem a imagem de Paes, que está registrado com o número 55 nas urnas.
Conforme a coligação “Juntos para Mudar, Coragem para Reconstruir”, que coordena a campanha de Paes, foi apresentada uma representação formal no Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ). O documento apresentado pelo candidato do PSD denuncia a distribuição dos santinhos com o número errado e exige a presença de fiscais nos locais onde as irregularidades foram identificadas.
Autor: Gazeta do Povo








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