terça-feira, setembro 1, 2026
15.5 C
Pinhais

Entrada na Bolsa dá mais força a Shein e alerta varejo brasileiro

A abertura de capital da Shein, prevista para 1º de setembro, pode dar à gigante chinesa bilhões de dólares para ampliar sua presença no Brasil justamente quando o varejo nacional enfrenta uma crise marcada por juros elevados, crédito caro, consumidores endividados e dificuldades para financiar novos investimentos – o que tem levado uma série de grandes empresas à recuperação judicial.

A diferença de acesso ao capital pode ampliar uma distância que já existe. Para fontes ouvidas pela Gazeta do Povo, o resultado do IPO – quando uma empresa passa a vender ações ao mercado pela primeira vez – deve ser uma disputa ainda mais desigual por preço, variedade, tecnologia e rapidez na entrega.

A disputa ganha força em um mercado em que as plataformas chinesas já conquistaram espaço relevante. Empresas como Shein, Shopee e TikTok passaram a responder por 41,5% do e-commerce brasileiro em 2025, enquanto empresas tradicionais perderam participação de mercado. A expansão ocorre mesmo com o tíquete médio menor das plataformas asiáticas, compensado pela maior frequência de compras e por mecanismos de engajamento que mantêm o consumidor circulando pelos aplicativos.

“O IPO da Shein pode mudar consideravelmente a concorrência no varejo brasileiro, obrigando outras empresas eventualmente a se fundirem ou a se fortalecerem, uma vez que essa abertura de capital vai dar à empresa uma capacidade competitiva muito grande”, explica o professor de Economia da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), Odirlei Dal Moro.