sábado, maio 9, 2026
14.1 C
Pinhais

Finalista da Champions, Arsenal renova elo com a África – 09/05/2026 – Esporte

No armário da influenciadora queniana Nana Owiti, dezenas de camisas do Arsenal atestam sua paixão pelo clube. Há mais de 20 anos, quando vários jogadores negros brilhavam na equipe de Londres, a popularidade dos “Gunners” na África disparou. E ainda é enorme.

“Henry fez com que eu me apaixonasse instantaneamente pelo Arsenal porque ele era muito bonito. Depois, olhei de novo e vi Sol Campbell e seu corpo musculoso. E, de repente, Kolo Touré… Todos esses jogadores, todos esses jogadores negros”, disse essa mulher na casa dos 30 anos, que tem 3 milhões de seguidores nas redes sociais.

A camisa número 14 de Thierry Henry, jogador francês com raízes antilhanas (Guadalupe e Martinica), foi a primeira do Arsenal que entrou em sua coleção.

As origens dos atletas daquele Arsenal do início do século são muito diversas. Sol Campbell é um britânico nascido em Londres, filho de pais jamaicanos, e Kolo Touré é marfinense.

Também havia Ian Wright, outro britânico de origem jamaicana, o nigeriano Nwankwo Kanu e o togolês Emmanuel Adebayor. E outros franceses, como Patrick Vieira, nascido no Senegal e com ascendência cabo-verdiana, e Nicolas Anelka, francês-martinicano, entre outros.

“Não era algo racial, mas sim um sentimento de pertencimento”, afirmou Nana Owiti.

Em um encontro com a reportagem em Nairóbi durante um jogo do Arsenal, o zimbabuano Leslie contou uma história semelhante. “Eu tinha 12 anos. O Arsenal jogava muitas vezes com 9 jogadores negros entre os 11. Eu podia me identificar com eles”, explicou.

“Eu gosto do Arsenal por causa do Arsène Wenger”, acrescentou, citando o técnico francês que comandou o clube por mais de 20 anos, de 1996 a 2018. “Ele era um revolucionário, um visionário!”

“Wenger é um fator-chave” na popularidade do Arsenal no continente africano, visto que apostou na pluralidade e em um elenco aberto ao mundo, destacou Emeka Cyriacus Onyenuforo, fundador e presidente da associação de torcedores do Arsenal na Nigéria, um país no qual o clube foi especialmente popular durante a passagem de Kanu (1999-2004).

Muitos entendem que “o Arsenal dá prioridade aos jogadores africanos” e por isso passam a torcer por esta equipe, observou Akalework Amde, presidente das associações de torcedores dos “Gunners” na Etiópia.

Ganhar ajuda. E o Arsenal de mais de duas décadas atrás é muito lembrado por suas conquistas: faturou três títulos do Campeonato Inglês (1998, 2002, 2004) e teve uma sequência de 49 partidas de invencibilidade em 2003-2004.

Em 2006, disputou pela primeira vez a final da Champions League, na qual perdeu por 2 a 1 para o Barcelona. No dia 30 de maio, jogará a segunda, contra o Paris Saint-Germain.

A época de ouro do Arsenal no início do século 21 coincidiu com a expansão internacional da Premier League (o Campeonato Inglês) e a sua chegada às televisões africanas por meio do canal sul-africano por satélite Supersport.

Na versão atual do time, 5 dos 11 atletas escalados na vitória sobre o Atlético de Madrid que definiu a classificação à decisão da Champions eram negros –entre deles o brasileiro Gabriel Magalhães e o inglês Myles Lewis-Skelly, de origem caribenha. William Saliba é filho de camaronesa, Eberechi Eze tem pai e mãe nigerianos, assim como Bukayo Saka, autor do gol do triunfo por 1 a 0.

“O meu nome é Bukayo Moses Ayoyinka Temidayo Saka. Tenho muito orgulho dele e das minhas raízes nigerianas. Os meus pais cresceram na Nigéria, e muitos dos valores deles foram passados para mim”, declarou.

Se a forte presença de jogadores negros no elenco foi a semente da paixão pelo time inglês na África, “agora o time é amado pelo que ele é”, afirmou Robbie Lyle, fundador da Arsenal Fan TV, um canal que viaja pelos cinco continentes para conversar com torcedores do clube. “O que ele é” é um time que está na luta pelo título europeu depois de 20 anos.

Lyle observou que é muito fácil cruzar com alguém vestindo a camisa do Arsenal na África.

Um possível primeiro título de campeão da Europa desperta grande entusiasmo na África, mas antes o Arsenal pode conquistar o seu primeiro Campeonato Inglês em 22 anos. O clube londrino tem cinco pontos de vantagem sobre o segundo colocado, o Manchester City, já na reta final da disputa, embora tenha um jogo a mais.

Autor: Folha

Destaques da Semana

Temas

Siga-nos

Conheça Nosso Guia de Compras

spot_img

Artigos Relacionados

Categorias mais Procuradas