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IA: trabalhadores surgem como o próximo grande gargalo – 22/06/2026 – Tec

As big techs gostam de se ver como uma força democratizadora. Fintechs levam serviços bancários aos desbancarizados, o TikTok transforma todo mundo em estrela. Sempre foi um argumento frágil; a inteligência artificial o derruba de vez —ao tornar o acesso a alguns recursos ainda mais exclusivo.

Construir e operar data centers devora materiais; quando a oferta fica para trás, clientes mais estabelecidos vão para o fim da fila. Veja os chips. A Micron, terceira maior fabricante de memória, abandonou o mercado de consumo no início deste ano para atender pedidos de data centers ou, como a empresa colocou, “nossos clientes maiores e estratégicos em segmentos de crescimento mais rápido”. Os preços de PCs e outros bens de consumo subiram, assim como os prazos de entrega.

A mão de obra está surgindo como o próximo gargalo. A IA tem atraído mais atenção pelos empregos que está eliminando, mas as big techs —que planejam gastar um total combinado de US$ 725 bilhões em infraestrutura —despertaram para a necessidade de força braçal e habilidades técnicas para construir e manter data centers. Neste mês, a Meta, dona do Facebook, lançou a “America’s Workforce Academy” para treinar profissionais qualificados; o Google está empenhado em iniciativas semelhantes.

É verdade que esses novos recrutas certamente ganharão bem abaixo dos US$ 640 mil (R$ 3,3 milhões) por ano do funcionário médio da Meta, incluindo remuneração baseada em ações, benefícios e salário. Mas a escassez de oferta significa que eles terão vantagem sobre colegas mais antigos.

A Associated Builders and Contractors estima um déficit atual de cerca de 350 mil trabalhadores. À medida que os trabalhadores existentes se aposentam, espera-se que esse número ultrapasse 1 milhão até 2030, segundo o National Center for Construction Education and Research, que fornece currículos e certificação para profissões técnicas.

As entidades de classe não estão sozinhas em suas projeções. O Bureau of Labor Statistics dos EUA prevê que a demanda por eletricistas aumente quase um décimo até 2034; mais que o dobro da taxa para advogados no mesmo período. Os dois empregos de crescimento mais rápido nos Estados Unidos, segundo as projeções do BLS, são ambos físicos: técnicos de turbinas eólicas e instaladores de painéis solares.

Alguns trabalhadores já estão flexionando seus novos músculos. A Samsung Electronics, maior fabricante de chips de memória do mundo, deve conceder um bônus de participação nos lucros aos trabalhadores depois que membros do sindicato ameaçaram cruzar os braços. Isso dificilmente parece excessivo para uma empresa que canaliza 11,3% da receita para pesquisa e desenvolvimento. A TSMC, maior fabricante de chips do mundo, também está aumentando os bônus para sua força de trabalho baseada em Taiwan.

Algumas tendências também ajudam. O estigma tradicional associado a esses empregos está diminuindo junto com a queda no valor dos diplomas universitários; o NCCER, órgão americano de treinamento e certificação, aponta que graduados estão começando a migrar para o “cinto de ferramentas”, complementando seus diplomas com estágios em profissões técnicas. As horas extras desempenham um papel importante no setor.

Como disrupções, está longe de ser a Peste Negra na Inglaterra medieval, quando artesãos dobraram ou triplicaram seus salários. Mas como o empregador mais novo do pedaço, o setor de tecnologia tem os bolsos mais fundos e, para os trabalhadores, brilho suficiente para deixar outras indústrias em desvantagem.

Autor: Folha

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