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Ioga para as multidões – 27/07/2026 – No Corre

Só fui ouvir outro dia o dito espirituoso de que a fluoxetina era tão boa que poderia ser colocada em caixas d’água. A recomendação deve fazer justiça ao medicamento que revolucionou o tratamento da depressão. Seu impacto chegou a Hollywood, após o sucesso do livro “Geração Prozac”, da americana Elizabeth Wurtzel.

Talvez o francês Emmanuel Carrère quisesse para a ioga destino similar àquele que Wurtzel ajudou a dar à fluoxetina. Em “Ioga”, o autor logo anuncia a vontade de fazer “um livrinho simpático e perspicaz” sobre o tema, vontade que ele mesmo sabota ao ampliar em muito sua paleta.

O que “Ioga” se torna ao fim de 268 páginas não vem ao caso, embora tenha produzido compulsão neste colunista: a partir dele, li tudo do francês.

Mas Carrère sublinha certas propriedades da “tecnologia indiana para tranquilizar a mente”, na definição do professor da USP Danilo Santaella, que quero compartilhar: trata-se aqui de levar a “boa nova” da prática, não de angariar novas ovelhas para a autoficção do francês, em nome da qual eu me comportaria como uma fã de Maria Bethânia após o show.

Para início de conversa, Carrère não vê distinção entre ioga e meditação. Nos EUA, ioga significa alongamento, e sua prática é normalmente restrita aos exercícios posturais (os ásanas).

Para o autor, “meditação é tudo aquilo que acontece durante o tempo em que se permanece sentado, imóvel e em silêncio”. Exemplifica: tédio; dores; pensamentos aleatórios; a vontade de pegar o telefone; a resistência a essa vontade. “Não se faz nada na meditação […] além de observar. Seguimos a corrente sem nos deixar levar.”

Com a prática regular vem o “descolamento de nós mesmos”. “Só um pouquinho [desse descolamento] já é bastante. Já é enorme. E vale a pena.”

Vale porque “você não é nada mais que caos, confusão, uma geleia de lembranças e medos e fantasmas e antecipações vãs, mas alguém mais tranquilo, dentro de você, está vigiando e fazendo um relatório”.

Pode ser que essa vigilância, ao final, não nos torne menos caóticos ou intranquilos, mas há na literatura científica exemplos de que o negócio funciona. Santaella esteve em junho num congresso na Califórnia e, mais do que estudos que dão conta do incremento, por exemplo, da imunidade, impressionou-se com o Prison Yoga Project, que leva ioga a detentos em 15 países.

O fotógrafo Robert Sturman, ao falar do Prison, mostrou depoimentos de encarcerados em San Diego. Um deles, aos 84 anos, diz, sorridente, que almeja os 125. Para isso, diz praticar ioga diariamente. Outro aponta a ioga como “único caminho para sobreviver” quando se envelhece. Ele recomenda aos jovens que tenham a ioga como segundo exercício –”qualquer que seja o primeiro”.

A morte no domingo (26) de um corredor amador de 50 anos reacende a discussão sobre os riscos da corrida. Ela se deu na mais equipada das provas brasileiras, a SP City, com grupos de voluntários para observar ocorrências entre os participantes.

Independentemente das especificidades do caso, fica o que esta coluna já publicou em dezembro, quando foram noticiadas quatro mortes em sequência de amadores pelo Brasil. Mais arriscado do que correr é manter-se sedentário. Check-ups, bastante recomendáveis de maneira geral, costumam detectar cardiopatias.


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Autor: Folha

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