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Mãe trocava jantar por festival de pastéis fritos – 30/07/2026 – Cozinha Bruta

Minha mãe não conhecia faca afiada, muito menos tábua de corte. Ela picava a comida no ar.

Segurava com uma das mãos o tomate, a cebola, a batata, o que fosse. Com a outra, operava uma faquinha de serra bem chinfrim e inofensiva, dessas de cabo plástico, que a gente encontra nos restaurantes por quilo. Deixava os pedaços grosseiros caírem diretamente dentro da panela com óleo quente, soltando aquela fumaceira que perfumava toda a casa.

Eu, espectador de programas de culinária e besta desde pequeno, achava um tanto bruto da parte dela —uma idiossincrasia da minha mãe.

Só bem recentemente, quando começaram a viralizar vídeos de cozinheiras velhas italianas nas redes sociais, entendi que o método rústico vinha de uma longa linhagem.

As nonnas de Instagram destroçam tomates no ar como robôs. Igualzinho fazia Ana Bertoni Nogueira, neta de napolitanos e vênetos, que finalmente pôde descansar no último dia 20.

Mas Ana estava longe de ser uma nonna estereotípica. Sempre trabalhou fora, atitude “prafrentex” no Brasil do regime militar. Como meu pai não era lá tão moderno, ela dobrava o expediente cozinhando à noite e aos fins de semana.

Os almoços de domingo reuniam toda a família para comer nhoque, feijoada ou bacalhau. Nas noites de sábado, Ana fazia pizzas de massa fininha em assadeiras retangulares.

Era nos jantares da semana que ela precisava encarar o repertório trivial de bife, arroz, feijão, legumes, sopa, cinco ou seis travessas. Nem sempre, porém.

Havia noites em que Ana chutava o balde. Sem razão aparente, cancelava o jantar careta e iniciava o festival de pastéis —assim ela chamava o evento.

Aquecia o óleo e abria o rolo da massa que comprara na feira da rua Inglês de Souza, em frente à gráfica Lanzara.

Soltava, até que todos estivéssemos estufados, pastéis de palmito refogado, pastéis doces de banana e os meus favoritos, de pizza: queijo com o molho “signature” da Ana, de tomates cozidos com alho e orégano. Eu, mimado e ensimesmado, pensava que as noites do pastel eram para mim.

Analisando em retrospecto, suspeito que fossem para ela mesma. Esta coluna vai para minha mãe; para vocês, a receita do pastel de pizza.

Pastéis de pizza

Rendimento

12 a 15 pastéis médios

Tempo de preparo

Cerca de 60 minutos

Dificuldade: média

Ingredientes

  • 500 g de tomates maduros
  • 4 dentes de alho fatiados
  • 1 colher (chá) de orégano
  • 1 colher (sopa) de azeite
  • 1 rolo de massa de pastel
  • 200 g de queijo muçarela
  • Óleo vegetal e sal a gosto

Preparo

  • Pique os tomates grosseiramente com pele e sementes, dentro da panela. Junte alho, orégano, azeite e sal. Cozinhe em fogo baixo até obter um molho espesso.
  • Monte o pastel com 1 pedaço de queijo e 1 colher (chá) de molho, sem exagero de recheio (para não estourar). Feche bem com molde ou com dentes de garfo.
  • Ponha, numa panela, óleo suficiente para cobrir um pastel. Coloque um pedaço de massa e aqueça em fogo alto. Quando a massa estiver dourada, descarte-a e reduza o fogo. Frite dois ou três pastéis por vez e escorra em papel-toalha.


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Autor: Folha

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