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Mirra Andreeva credita título em Roland Garros a psicóloga – 06/06/2026 – Esporte

Mirra Andreeva tinha 5 a 0 no segundo set, o título ao alcance, quando a polonesa Maja Chwalinska devolveu uma quebra e reagiu para 5/2. O que passou pela cabeça da russa naquele momento? “Me disse que estava tudo bem. Daquele lado, o vento vinha de frente —não dava para bater tão forte. Preferia o outro lado. Se não funcionou aqui, funciono lá.” Funcionou.

Andreeva, 19, campeã de Roland Garros após vencer Chwalinska por 6/3 e 6/2 neste sábado (6), atribuiu boa parte do título a um trabalho sistemático com uma psicóloga —iniciado depois de um período difícil em Madri, há pouco mais de um mês. “Conversei com ela antes da semifinal e antes da final. Ela me deu muitos conselhos e técnicas que pude usar na quadra para viver tudo isso de forma um pouco melhor. Ela merece muito crédito.”

A virada entre Madri e Paris não teve um fator único. “Não houve uma grande mudança ou algo que decidi trocar completamente. Minha psicóloga diz que você sempre pode escolher como vai se comportar na quadra e quem vai ser como pessoa. Decidi ser uma lutadora.”

Parte dessa escolha passou por Roger Federer. “Assisti a muitas partidas dele aqui e queria tentar imitar um pouco a forma como ele se comportava na quadra. Não ficar frustrada, não demonstrar insatisfação. Para as pessoas, também é bom ver jogadoras que tentam o seu melhor e competem.”

Na quadra, Andreeva carrega um caderno. Antes de cada partida, escreve aspectos táticos, técnicos e uma série de encorajamentos. Depois, um diário do jogo. “Escrevo como foi, como me senti, como ela jogou, para estar preparada na próxima vez que enfrentar aquela adversária.”

Primeira russa campeã de Grand Slam desde que Maria Sharapova venceu Roland Garros em 2014, Andreeva foi perguntada sobre a geopolítica que cerca os atletas do seu país. “Quando jogo tênis, a única coisa em que penso é como jogar e como vencer. Não penso nessas coisas quando estou na quadra.”

Disse estar feliz que Paris tenha chegado primeiro. “Adoro jogar no saibro, joguei quase toda a minha vida nessa superfície. E também falo um pouquinho de francês.” Mas já olha adiante. “Essa sensação é um pouco viciante. Já estou pensando em como vou me preparar para a temporada de grama.”

O título partilhou espaço com sua técnica, a espanhola Conchita Martínez, campeã de Wimbledon em 1994, e com Luna —a cadela de 11 anos da treinadora que apareceu nas fotos da celebração. “Adoro cachorros. E conheço essa em particular. Ela já é uma vovozinha.”

Nos discursos após as vitórias em Roland Garros, Andreeva adotou um bordão: agradecer a si mesma. Na coletiva, explicou a origem. “No começo era uma brincadeira, para as pessoas rirem. Depois percebi que faz sentido de verdade. Você é quem trabalha, você é quem faz o trabalho, você é quem sente o nervosismo. É muito importante se agradecer.”

Autor: Folha

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