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Não é o fim do trabalho. É o fim de trabalhar do jeito errado

Quando Elon Musk diz que trabalhar pode virar opcional, muita gente ri. Mas toda grande ruptura começou assim: como piada. Também não compro esses apocalipses que surgem a cada nova tecnologia. A internet não acabou com o varejo, apenas fez o varejo evoluir. O mundo não acaba: ele muda. E, sempre que muda, abre espaço para quem sabe se adaptar.

A automação não vai destruir empregos. Vai destruir falsos empregos. Aquele trabalho repetitivo, que qualquer máquina faz melhor, mais rápido e mais barato, está com os dias contados. E isso é uma excelente notícia. Porque, finalmente, as pessoas vão poder fazer o que sempre foi o diferencial humano: pensar, resolver problemas, tomar decisões.

O mundo não está caminhando para o fim do trabalho. Está caminhando para o fim de trabalhar mal, sem produtividade, sem inteligência e sem propósito

Mas há uma verdade que poucos gostam de ouvir: se o processo da sua empresa é ruim, a automação só ajuda a errar mais rápido. Antes de comprar tecnologia, é preciso arrumar a casa. Precisa existir clareza de tarefas, indicadores confiáveis e decisões baseadas em dados. Sem isso, a ferramenta vira maquiagem em cadáver. Quem automatiza caos cria caos em escala industrial.

Quando o básico está sólido, a tecnologia vira aceleradora. A empresa que tratar automação como estratégia viverá anos incríveis. Quem apostar em modinha, sem preparo, vira estudo de caso, daqueles que as universidades ensinam como alerta.

A automação muda tudo, inclusive quem lidera e como lidera. Se o operacional é da máquina, o verdadeiro valor do gestor volta ao que sempre deveria ter sido: desenvolver gente e garantir performance. Organograma engessado, controle excessivo e reuniões para decidir o óbvio são sintomas de lideranças que ficaram no século passado.

Isso não significa que estilos mais firmes desapareceram. A liderança autocrática, tão demonizada, continua necessária em contextos específicos: times imaturos, negócios sob pressão, situações em que o erro custa caro. O erro não está no estilo. O erro está no exagero. Gestão não é ideologia, é contexto. O bom líder sabe quando direcionar firme e quando abrir espaço total para autonomia.

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A automação amplifica a essência do lugar onde chega. Se a cultura é confusa, vira caos digital. Se é forte, vira crescimento acelerado. E o impacto sobre as pessoas será direto: quem entrega resultado se destaca como nunca; quem só ocupa cadeira desaparece.

Propósito, essa palavra tão maltratada, deixa de ser enfeite na parede e vira prática diária. Se a parte mecânica do trabalho some, o que mantém alguém conectado ao que faz é o impacto que sente e gera. É isso que reduz turnover, aumenta engajamento e sustenta performance real.

Competitividade, daqui em diante, será definida por uma linha simples: tecnologia qualquer um compra; maturidade de gestão, não. Enquanto alguns gastam com softwares que ninguém usa, outros constroem vantagem competitiva permanente.

O mundo não está caminhando para o “fim do trabalho”. Está caminhando para o fim de trabalhar mal, sem produtividade, sem inteligência e sem propósito. Musk está certo em uma coisa: o trabalho como conhecemos está mudando. Mas o futuro não pertence à inteligência artificial. O futuro pertence a quem sabe trabalhar com ela e melhor do que ela. Quem entender isso vai construir o próximo capítulo do mercado. Quem não entender… fará parte da história apenas como rodapé.

Marcos Freitas é empresário, CEO e fundador da Seja AP.

Autor: Gazeta do Povo

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