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Neymar corre contra o tempo para disputar sua quarta Copa – 02/06/2026 – Esporte

Mesmo sem poder entrar em campo devido a uma lesão na panturrilha direitamais grave do que dizia ter—, Neymar foi uma das principais atrações do duelo amistoso contra o Panamá no domingo (31).

Em diversos momentos da partida vencida por 6 a 2 pela seleção brasileira, o atacante de 34 anos do Santos teve o nome gritado por torcedores nas arquibancadas do Maracanã. Ao apito final do árbitro, foi tietado por jogadores panamenhos e por membros da comissão técnica adversária.

Na entrevista pós-jogo do técnico Carlo Ancelotti, o experiente jogador que ruma para sua quarta e última Copa do Mundo voltou a ser assunto, com o italiano sendo questionado sobre qual seria a posição em que ele entraria no time.

“O Neymar tem que jogar por dentro do campo. Ele não vai jogar por fora, como extremo. Vai atuar por dentro do campo, como ponta ou meia-ponta. Na posição em que jogaram Vini ou Raphinha. Vai ser em uma dessas posições”, respondeu o treinador, captado pelas câmeras de TV deixando o gramado em um papo descontraído com seu camisa 10.

Tendo dito e repetido em diferentes ocasiões que levaria à Copa apenas jogadores que estivessem em boas condições físicas, Ancelotti mudou de discurso depois de constatada a real gravidade da lesão do jogador.

“Falei sobre isso em março, provavelmente não expliquei bem. Falei que poderia chamar um jogador que não estivesse 100%, mas que poderia estar 100% na Copa do Mundo. Por má sorte, não estarão 100% para a Copa do Mundo o Militão, o Rodrygo e o Estêvão. Mas poderá estar 100% o Neymar”, afirmou o italiano.

O jogador sentiu um problema na panturrilha em sua última partida pelo Santos, no dia 17 de maio, véspera da convocação do Brasil. O clube dizia se tratar apenas de um edema, um acúmulo de líquido entre as fibras musculares. Os exames da CBF (Confederação Brasileira de Futebol), porém, apontaram uma lesão de grau 2, com ruptura parcial das fibras.

Segundo o médico da seleção, Rodrigo Lasmar, o prazo de recuperação gira entre duas e três semanas. A estreia do Brasil ocorrerá em 13 de junho, portanto 16 dias contados a partir do momento em que o diagnóstico foi apresentado.

Nesta terça-feira (2), na chegada da delegação brasileira aos Estados Unidos, Ancelotti disse não ter pressa em relação à recuperação do atacante. “Ele está progredindo bem, está trabalhando bem, não temos pressa.”

Médico ortopedista do Hospital Ortopédico AACD, Ricardo Soares explicou que o tratamento nos próximos dias deve incluir repouso, fisioterapia, alongamentos e um programa progressivo de fortalecimento muscular.

“O objetivo é garantir um retorno seguro às atividades esportivas, reduzindo o risco de agravamento da lesão ou o surgimento de novas lesões”, disse o especialista.

Neymar disputou três edições da Copa do Mundo até aqui em momentos bastante distintos da carreira nos clubes que defendeu, mas sempre como o protagonista da seleção brasileira.

A primeira, em 2014, no Brasil, foi pouco após sua polêmica transferência do Santos para o Barcelona, em uma temporada de adaptação na Europa, quando assumiu o papel de coadjuvante de um time liderado por Lionel Messi.

No Mundial daquele ano, teve seu melhor desempenho em campo. Marcou quatro gols e deu uma assistência em cinco partidas, mas acabou mais marcado pelo corte de cabelo extravagante e pela grave lesão sofrida contra a Colômbia.

Na sequência, em seu auge, foi uma das peças fundamentais do trio de ataque do Barça que ficaria popularmente conhecido como MSN —Messi, Suárez e Neymar—, com a conquista de duas taças do Campeonato Espanhol e uma da Champions League.

Em 2018, na Copa da Rússia, já estava no PSG (Paris Saint-Germain), para onde havia se transferido em busca de maior protagonismo. Marcou dois gols e deu duas assistências em cinco jogos do torneio da Fifa, mas não conseguiu balançar as redes na derrota por 2 a 1 para a Bélgica.

Chegou à edição seguinte, no Qatar, em 2022, tendo empilhado taças do Campeonato Francês e com um vice da Champions, mas dividindo os holofotes em Paris com Messi, que chegara em 2021, e com a estrela em ascensão Mbappé.

Já atormentado pelas lesões em série que passaram a se acumular, precisou ficar de fora de dois jogos da fase de grupos por um problema no tornozelo e marcou dois gols, um deles no empate contra a Croácia. Foi escolhido por Tite para fechar a disputa de pênaltis, mas nem chegou a bater, após Rodrygo e Marquinhos desperdiçarem suas cobranças.

Embora ainda seja reverenciado como a principal liderança técnica por seus companheiros de equipe —que fizeram campanha por sua convocação—, o atacante pouco atuou ao longo do último ciclo até a Copa do Mundo na América do Norte, prejudicado pelas lesões que o mantiveram afastado da formação nacional desde 2023.

Em 2026, o jogador entrou em campo apenas 15 vezes com o Santos, menos da metade dos 35 compromissos do time no período, ausente por lesão ou por opção para se preservar. Atuou os 90 minutos em 10 jogos, com 6 gols marcados e 4 assistências.

O primeiro —e único título até aqui com a seleção— foi o da Copa das Confederações de 2013, marcando um dos gols na vitória por 3 a 0 sobre a Espanha na decisão. Ele também conquistou a medalha de ouro com a seleção olímpica nos Jogos do Rio de Janeiro, em 2016, batendo a Alemanha na final.

Autor: Folha

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