Esta é daquelas ideias geniais que despertam a reação retórica famosa: “Por que não pensei nisso antes?”. O que aumenta a genialidade de quem pensou nisso antes e, mais importante, que levou o troço a cabo: o jornalista e youtuber Sérgio Rocha, do canal Corrida no Ar.
Com um pouco de networking e uma solução de tecnologia, ele acaba de criar a Brasil Gigante, espécie de Marathon Majors brasileira com oito maratonas daqui.
Na cadeia, ou na “mandala”, entram a mara de outono de São Paulo (da Yescom, disputada neste domingo, 12), a de Porto Alegre (a tradicional, não a da New Balance), a de Floripa (a de agosto), Campo Grande, a novíssima do Paraná, em Guaratuba, no litoral, sem os sete-ais das subidas de Curitiba. No Nordeste são três: Salvador, Aracaju e João Pessoa.
A ideia é estimular que o maratonista, esse fetichista incorrigível, viaje pelo Brasil, ou ao menos considere o Brasil antes de pensar em correr pela enésima vez em Chicago, Nova York, Tóquio ou Berlim, para citar quatro das integrantes da Abbott Marathon Majors. O critério de curadoria foi o selo ouro da CBAt, padrão de excelência do evento segundo a Confederação Brasileira de Atletismo, além do próprio selo ouro de Rocha, que conhece todas elas.
Sua expectativa é a de que, só com a união, as inscrições para cada evento cresçam 20%. Não há um estudo mercadológico por trás do número, mas uma “estimativa de boa-fé”. Florianópolis já “performa”, com a velocidade de inscrições para a maratona de agosto aumentando cerca de quatro vezes desde o anúncio da Brasil Gigante, segundo Rocha.
Rocha diz que contatou os organizadores da mara do Rio, que preferiram manter suas ambições de major global –para adentrar ao circuito da Abbott, contudo, a Mara in Rio precisa comer muito feijão, a começar pela eliminação da mina de ouro, o festival de distâncias mais curtas do feriadão; e falou com Paulo Carelli, da SP City, que estava por assinar contrato com a Nike, um patrocinador que normalmente prefere exclusividade, e refugou.
Assim, por cinco anos, o tempo estabelecido em contrato, ficam as oito, e só as oito, mesmo Rocha podendo engordar esse número, já que para isso não há interdição contratual. Trata-se de uma deferência aos parceiros.
O corredor que por ventura já tenha concluído previamente alguma maratona da Brasil Gigante, desde que em edições certificadas com o selo ouro da CBAt, pode usar esse registro para sua mandala. O site oficial é o ambiente que congrega esses registros, futuros e pretéritos.
Outro ponto inegociável para Rocha é que integrem sua suada aliança apenas maratonas. Mesmo ouvindo de seguidores que as provas de 21 km deveriam entrar, ele bateu pé, alegando que o número de concluintes de maratona é muito menor.
Para a Folha, Rocha contou a gênese da coisa. Final do ano passado, um detentor de naming rights de uma prova pergunta a ele qual era seu “sonho”.
O sonho era mesmo a futura Brasil Gigante e, tendo ouvido ali promessas de um dinheiro a jorrar em cascata que ao final jamais chegaria, Rocha logo começou a fazer contatos com parceiros e organizadores.
A frase a seguir teria lugar de fala se dita por um dos Paulo Vieira que deram certo, o coach best-seller, mas, enfim, nunca duvide do poder das palavras-chave de manuais de autoajuda.
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Autor: Folha








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