quarta-feira, julho 29, 2026
17.2 C
Pinhais

O mistério da explosão de “homicídios ocultos” no Brasil

No geral e a princípio, a notícia é bastante positiva. O Brasil registrou 42.590 homicídios e uma taxa de 20,1 homicídios por 100 mil habitantes em 2024, o que representou redução de 6,9% no número absoluto de mortes e de 7,4% na taxa em relação ao ano anterior, seguindo uma tendência constante desde o final dos anos 1990.

A queda, porém, é potencializada por uma parte das mortes com intenção de matar que não estão nestes números, os chamados “homicídios ocultos”, que quase dobraram de um ano para o outro — o que expõe a falta de padrão e qualidade dos dados com os quais são feitas as políticas públicas na área da segurança pública brasileira. 

(Esta reportagem faz parte da série Brasil Seguro, que examina erros em políticas de segurança pública e traz exemplos do que fazer para assegurar a autoridade da lei. Confira aqui os outros textos da série.)

O país teve quase o dobro do número de homicídios ocultos entre 2023 e 2024, o que levanta uma suspeita sobre como é feito esse trabalho de compilação dos dados de mortes no país. É o que revela a edição mais recente do Atlas da Violência, produzido pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) em conjunto com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), publicado no final de maio.