Afastados da política, organizando candidaturas de oposição regional nos estados ou ao Legislativo e até mesmo “fazendo o L” na campanha de tentativa de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), os candidatos da chamada terceira via presidencial de 2022 — que se propunham como alternativas a Lula e ao então presidente em busca de reeleição Jair Bolsonaro — se dispersaram quatro anos depois.
“Nasci pra ver Soraya Thronicke [PSB] fazendo o L, e se estivesse em 2022 eu não iria acreditar”, resume o sentimento de muitos eleitores uma usuária da rede social X em uma publicação no dia 25 de junho, sobre um vídeo da senadora pelo Mato Grosso do Sul literalmente fazendo o L em um ato político recente no estado ao lado de políticos de centro-esquerda.
“Até eu nasci pra me ver fazendo o L!”, respondeu a senadora na postagem. “Ahhhh, a vida… a vida ensina tanto, e por isso é tão bela! Conheci na política o lado do ódio, do desprezo e do horror muito de perto… e depois conheci a política como ela deve ser feita: com amor! Na verdade conheci um dos políticos que têm verdadeiro amor pelo povo, e isso é raro. Política não é profissão, é missão, é sacerdócio”, completou.
“Dia histórico para MS! Na Unidade de Fertilizantes Nitrogenados-III com o presidente Lula para o anúncio das obras. Após anos de espera, essa fábrica sai do papel!”, comemorou Thronicke em outra publicação no mesmo dia. Eleita em 2018 ao Senado pelo União Brasil com o apoio aberto de Bolsonaro e em busca da reeleição com o apoio velado de Lula, Thronicke trocou o Podemos (onde estava desde 2023) pelo PSB.
Ela promoveu uma mudança de 180 graus em relação ao discurso de 2022, então recheado de críticas tanto ao atual quanto ao ex-presidente da República. Naquele ano, ela ficou em quinto lugar na disputa presidencial de primeiro turno.
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Outra política que era da terceira via pela centro-direita em 2022 e que embarcou no bonde da centro-esquerda pelo PSB para candidatar-se nas eleições deste ano é a ex-ministra do Planejamento de Lula, Simone Tebet. Candidata ao Senado por São Paulo ao lado de Marina Silva (Rede) na chapa petista liderada pelo pré-candidato ao governo do estado, o ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad, Tebet “fez o L” ainda no segundo turno em 2022, após ficar em terceiro lugar na disputa presidencial no primeiro turno.
Recebeu um ministério para comandar, onde atuou com discrição por pouco mais de três anos, e só saiu do governo Lula para concorrer ao Senado na eleição paulista, tarefa dada pelo presidente. A ex-política do MDB do Mato Grosso do Sul recebeu a missão de ajudar a dar uma feição mais centrista à chapa petista em São Paulo.
Em seu Instagram, em ritmo de campanha, são comuns postagens ao lado do presidente Lula ou outras figuras da esquerda, geralmente divulgando ações, programas e obras do governo federal.
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Ciro Gomes formou aliança com o PL para a campanha no Ceará
Ciro Gomes, o quarto colocado no primeiro turno para presidente em 2022 pelo PDT, neste ano segue na oposição ao governo Lula e ao PT, mas desta vez no plano regional — ele é o candidato da oposição à tentativa de reeleição do governador Elmano de Freitas (PT) no Ceará, seu berço político.
Ciro tenta voltar ao governo do estado no PSDB, partido pelo qual já governou o estado entre 1991 e 1994, com o apoio do PL em um frente unida de centro-direita. A aliança causou um abalo sísmico no PL, que culminou na saída da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro da liderança do PL Mulher. A crise explodiu após Michelle, pré-candidata ao Senado pelo PL no Distrito Federal, divulgar um vídeo com críticas ao senador e pré-candidato do partido à Presidência da República, Flávio Bolsonaro.
Felipe D’Avila (Novo), sexto colocado na majoritária nacional em 2022, até chegou a ter o nome incluído em sondagens de intenção de voto como pré-candidato ao governo do estado de São Paulo nas eleições deste ano, mas não confirmou a pré-candidatura. Ele atua como analista político e colunista, sem disputar cargos neste ciclo eleitoral.
Outros candidatos de menor expressão política e eleitoral, os chamados nanicos que concorreram em 2022, tampouco devem reeditar a candidatura presidencial neste ano. Um dos candidatos mais controversos em 2022, Padre Kelmon anunciou pré-candidatura a deputado federal por São Paulo para as eleições 2026, agora no PL.
Nos últimos meses, ele tem intensificado visitas a municípios paulistas, participado de encontros políticos, eventos conservadores e reuniões com apoiadores, o que indica que a candidatura é para valer — pelo menos é o que ele diz para o mais de um milhão de seguidores em postagens no Instagram, onde também compartilha material do senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato do PL à Presidência da República, e outras figuras do campo conservador.
Léo Péricles (UP), Sofia Manzano (PCB), Vera Lúcia (PSTU) e Constituinte Eymael (DC), que também tiveram o nome à disposição dos eleitores como opção na urna eletrônica para presidente no primeiro turno em 2022, tiveram os nomes substituídos por seus partidos por outros pré-candidatos, e também não devem sair para presidente em 2026.
Em 2022, nenhum destes nomes da chamada terceira via empolgou o eleitorado. Em 2026, pelo que indica a disputa eleitoral até o momento, faltando menos de 90 dias para a realização do primeiro turno, os nomes deste campo político alternativo entre Lula e Flávio Bolsonaro também não decolaram no coração dos eleitores, da direita à esquerda.
Conforme levantamento de intenção de voto divulgado pelo instituto Gerp no último dia 8, Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT) estão numericamente empatados no cenário estimulado de primeiro turno. Nos cenários sem Flávio, Lula empata tecnicamente com Michelle Bolsonaro (PL) e lidera as simulações com Rogério Marinho (PL), Damares Alves (Republicanos) e Astronauta Marcos Pontes (PL).
- Metodologia da pesquisa eleitoral: A Gerp ouviu 2.000 pessoas entre os dias 3 e 7 de julho de 2026. A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais, para mais ou para menos. O nível de confiança é de 95%. A pesquisa foi contratada pela Associação das Empresas de Rádio e Televisão do Estado de São Paulo (Aesp). Registro no TSE nº BR-03067/2026.
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Autor: Gazeta do Povo








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