Genes associados à resistência a antibióticos estão presentes em diversas bacias oceânicas, incluindo áreas remotas, segundo resultados divulgados nesta segunda-feira (8) por um projeto de pesquisa liderado pela Itália que analisou amostras de água do mar ao redor do mundo.
O projeto Sea Care (“cuidados com o mar”, em tradução) identificou esses genes nos oceanos Mediterrâneo, Atlântico e Ártico, além de outras regiões. As maiores concentrações foram encontradas próximas a rotas marítimas intensamente utilizadas e a áreas costeiras densamente povoadas.
Os achados indicam que os oceanos atuam como um reservatório global da poluição gerada em terra, transportando vestígios genéticos associados ao uso de antibióticos e ao descarte de resíduos urbanos muito além de seus locais de origem. Segundo os pesquisadores, isso pode favorecer a disseminação desses genes até mesmo em comunidades isoladas.
O estudo foi apresentado nesta segunda-feira durante um fórum sobre oceanos e saúde humana realizado em Roma e organizado pelo ISS (Instituto Nacional de Saúde da Itália). Além dos genes de resistência a antibióticos, os cientistas detectaram microplásticos, fragmentos de material genético do SARS-CoV-2 e PFAS —substâncias perfluoroalquiladas e polifluoroalquiladas conhecidas como “químicos eternos”—, mesmo em regiões de oceano aberto e áreas remotas.
“Proteger a saúde humana hoje inevitavelmente significa cuidar dos mares e oceanos”, afirmou o diretor-geral do ISS, Andrea Piccioli. Segundo ele, poluentes liberados no ambiente acabam sendo redistribuídos globalmente por meio da água, dos alimentos e dos sistemas climáticos.
O Sea Care é uma iniciativa italiana que busca integrar saúde ambiental e saúde humana. O projeto reúne instituições como o ISS, a Marinha Italiana e centros de pesquisa internacionais para desenvolver um sistema global de monitoramento dos oceanos.
Para isso, utiliza rotas navais já existentes e redes científicas para coletar amostras durante missões de rotina, reduzindo custos operacionais e o impacto ambiental das expedições.
Nos três primeiros anos de atividade, o programa coletou mais de 4.000 amostras de água em mais de 140 pontos distribuídos pelos oceanos Mediterrâneo, Atlântico, Pacífico, Ártico e Índico.
Os pesquisadores afirmam que a iniciativa demonstra o potencial dos oceanos como um sistema de alerta precoce para riscos globais à saúde, contribuindo para políticas de combate à poluição, às mudanças climáticas e a ameaças emergentes à saúde humana.
Autor: Folha




















