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OMS: 80% terão dor lombar; rotina sentado agrava – 23/07/2026 – Equilíbrio

Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), 80% das pessoas tiveram ou terão incômodos na coluna lombar. Permanecer por longos períodos na frente do computador tem muito a ver com isso. Mas esse é apenas um dos efeitos colaterais da rotina de escritório.

Segundo pesquisas recentes, passar muitas horas por dia sentado é uma bomba relógio para a saúde como um todo, já que aumenta os riscos de doenças cardiovasculares, trombose venosa profunda e diabetes, entre outros. Uma delas, publicada em 2025 no European Journal of Cardiovascular Medicine, aponta isso. Não à toa, o médico e pesquisador James Levine, especialista em obesidade da Mayo Clinic, nos Estados Unidos, cunhou a expressão “sentar é o novo fumar”. A pesquisa de sua autoria que originou essa frase foi publicada em 2015 e se tornou uma referência.

Cadeira e sedentarismo

A comparação, claro, não deve ser interpretada de forma literal. Fumar continua sendo muito mais prejudicial do que ter uma rotina de trabalho que requer várias horas na frente do computador. Mas a provocação surgiu para chamar atenção ao fato de que passamos cada vez mais tempo imóveis. Entre trabalho, deslocame ntos, refeições, séries e redes sociais, muitas pessoas ficam sentadas por mais de dez horas por dia sem perceber.

De acordo com outro estudo, publicado na revista científica Stroke, pessoas que relataram permanecer sentadas por mais de oito horas diárias e não praticavam atividade física apresentaram um risco até sete vezes maior de sofrer um derrame em comparação àquelas que ficavam menos de quatro horas e realizavam pelo menos alguns minutos de atividade física todos os dias.

Os pesquisadores ainda não sabem ao certo por que permanecer na cadeira tem consequências tão prejudiciais à saúde. Uma das hipóteses é que, quando ficamos imóveis por longos períodos, os grandes músculos das pernas e dos glúteos entram praticamente em modo de espera. Como consequência, passam a consumir menos glicose da corrente sanguínea, o que pode favorecer alterações metabólicas associadas ao diabetes.

Além disso, a inatividade prolongada parece afetar como o corpo metaboliza gorduras, reduzir a circulação sanguínea e aumentar processos inflamatórios. Com o passar dos anos, essas alterações podem contribuir para danos nos vasos sanguíneos, aumento da pressão arterial e maior risco de infarto e AVC.

O exercício como antídoto

Pesquisas mais recentes sugerem que a relação entre sentar e saúde é ainda mais complexa do que parece. O pesquisador Daniel Lieberman, professor de biologia evolutiva da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, passou anos estudando populações caçadoras-coletoras na África para entender como os seres humanos viveram durante a maioria da sua história evolutiva.

Segundo Lieberman, essas populações passam aproximadamente a mesma quantidade de tempo sentadas que habitantes de grandes centros urbanos: cerca de dez horas por dia. A diferença está no restante da rotina. Enquanto trabalhadores de escritório costumam alternar períodos sentados com carro, elevador e sofá, esses povos caminham quilômetros diariamente, carregam peso, se agacham, cozinham, coletam alimentos e permanecem em movimento durante boa parte do tempo. Em outras palavras: o problema talvez não seja sentar, mas passar o resto do dia sem se mexer.

Correndo atrás do prejuízo

Desarmar essa bomba exige alternar períodos prolongados sentado com momentos de atividade física. Definir um cronômetro para se lembrar de se levantar e se movimentar de vez em quando, falar no telefone perambulando, provar uma standing desk (mesa em pé) ou trocar a cadeira por uma bola de Pilates são algumas medidas válidas.

Pequenas pausas de dois ou três minutos já podem estimular a circulação sanguínea e ativar novamente os músculos. Levantar para buscar água, subir escadas, esticar o corpo ou dar uma volta no quarteirão parecem gestos insignificantes, mas somam ao longo da semana.

Também vale lembrar que uma hora de academia não neutraliza completamente 12 horas seguidas de imobilidade. Cada vez mais, está claro que a saúde depende de uma combinação de fatores: exercícios regulares, fortalecimento muscular, sono adequado, alimentação equilibrada e movimento distribuído ao longo do dia.

Autor: Folha

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